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Última etapa ligou Alcoutim a V. Real de Santo António UM ALERTA DIRIGIDO A TODA A SOCIEDADE
Ao cumprir a sua derradeira etapa (22 de Agosto), ligando Alcoutim a Vila Real de Santo António, "No Trilho da Esperança" reforçou a mensagem que desde 28 de Julho, ao arrancar de Melgaço, fez passar para a opinião pública portuguesa: os professores, os educadores e a Escola Pública continuam a viver um momento muito difícil e a enfrentar sucessivas políticas erradas, a que é preciso responder com unidade e firmeza, como acontecerá já no arranque do novo ano lectivo. "Uma das lutas maiores que vamos ter de travar neste próximo ano lectivo e provavelmente nos próximos será a luta em defesa do emprego docente", realçou Mário Nogueira na conferência de imprensa realizada na chegada do "Trilho da Esperança" à sua última etapa: Vila Real de Santónio, no sotavento algarvio. / JPO
947 quilómetros de indignação e protesto
"No Trilho da Esperança" foi uma iniciativa da FENPROF e dos seus Sindicatos, concebida e protagonizada por um dos seus dirigentes, António Morais, professor em Aveiro, na Escola Básica Integrada de Eixo, que uniu escolas de Melgaço a Vila Real de Santo António, de bicicleta, ao longo de quatro semanas, percorrendo um total de 947 quilómetros, com paragem e visita a mais de duas dezenas de estabelecimentos de ensino, incluindo nove onde trabalhou ao longo da sua carreira. À conversa com os jornalistas em Vila Real de Santo António, Morais sublinhou que "a forma como nós, professores, temos sido tratados pelo poder político, tem sido muito injusta" e confirmou que "a indignação, face ao que estamos a viver no Ensino em Portugal, foi o combustível que alimentou esta acção".
 Um pouco por todo o País, a imprensa regional e as rádios locais acompanharam com elevado profissionalismo o desenrolar do "Trilho da Esperança" (na imagem: entrevista de António Morais à Rádio Gilão, em V. Real de Santo António, no dia 22/08/2008)
O "Trilho da Esperança" chamou a atenção da opinião pública para: - o isolamento em que os docentes exercem a sua profissão, por norma, sem serem devidamente considerados pelos Governos, situação que se tem repetido ao longo do mandato do actual governo e da equipa do Ministério da Educação;
- o enorme esforço que implica/implicou para todos os docentes, sujeitarem-se às condições adversas com que se confronta o seu exercício profissional, de trabalho nas escolas ou, até, de integração social das diversas comunidades que têm de abraçar ao longo das suas vidas;
-as distâncias, o afastamento da família e amigos e as sucessivas adaptações de condições de vida a que se sujeitam em toda a carreira profissional;
- o custo de vida acrescido, as despesas com transportes, com segundas habitações a que não podem fugir por força das colocações a que ficam sujeitos, sem que, no entanto, haja da parte do poder político qualquer tentativa para compreender a importância de haver diversos apoios, remuneratórios mas não só, que minimizassem os problemas que decorrem desta realidade.
 Mértola, 21/08/2008
"No Trilho da Esperança" foi recebido nos estabelecimentos de ensino, de norte a sul, num ambiente de viva solidariedade, partilhado não só por professores, como por trabalhadores não docentes das escolas e outros cidadãos. Esta onda de solidariedade fez-se sentir também em muitos momentos do longo percurso, nas estradas e nas localidades por onde passou o dirigente sindical, portador de uma palavra de ordem fundamental: os professores portugueses não cruzam os braços!
 Alcoutim, 22/08/2008

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