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12 mai 2016 / 08:52

Intervenção de Isabel Lemos

Não é nada simples nesta ocasião vir aqui intervir enquanto professora aposentada. Muitos pensarão: “que sorte!”, sobretudo com o que aconteceu à escola, muito particularmente à escola pública, sob a égide de Maria de Lurdes Rodrigues, de Passos Coelho, Nuno Crato e outros. Na verdade, a escola que, para muitos de nós, e nas palavras de já não sei quem, deveria ser “um lugar onde de manhã, quando se acorda se pensa que é bom ir passar lá o dia”, converteu-se, por via de medidas que nada tiveram de avulsas, antes foram decididas com uma única finalidade: destruir a escola pública, o seu sucesso e virtualidades, [passou] a ser um local “kafquiano”, de delação, de medo, de lágrimas e suspiros.

 Mas [dizia eu que] não é simples intervir aqui e agora porque se correm riscos: o do saudosismo “no meu tempo…” e o do paternalismo. Esperando não cair gravemente em nenhum deles, tomaria como tema o desinteresse pela luta e lides sindicais dos professores, alguns até com longa experiência de dirigentes sindicais, após a aposentação. À cabeça surge a pergunta: porquê ??? Porque se deixa a escola com a tal sensação de ter sido vítima de assédio moral, um quase terrorismo no trabalho e que, para não ser exceção, até tem um nome, em inglês, claro: Mobbing e portanto se quer esquecer que se foi professor? Porque se aceita a inevitabilidade das medidas graves atentatórias da dignidade humana, no final de uma longa vida de trabalho? Porque se se demite do exercício da democracia participativa que é a reflexão e a luta sindical? Porque se espera que a vida familiar e um ou outro passatempo vão trazer a felicidade e plenitude? Não sei. Sei que embora possa haver laivos de razão nos hipotéticos motivos apontados, os trabalhadores reformados, designadamente os professores aposentados devem fortalecer e aumentar as hostes dos trabalhadores no ativo. Ouvimos e lemos recorrentemente expressões como o envelhecimento ativo ou o princípio da equidade intergeracional. Para nós, o envelhecimento activo não é sinónimo de “envelhecer a trabalhar”! Envelhecer ativamente é envelhecer de forma atuante! Ativos na sociedade, para continuar a transformar! Relativamente à designada equidade intergeracional (o princípio segundo o qual a atual geração deve respeitar as condições que permitam assegurar às que se seguirem uma diversidade de recursos a todos os níveis) diria que fazemos (e muito bem) a nossa parte: Queremos uma nova geração de trabalhadores, particularmente professores que tenha direito a emprego digno e com direitos. Assegurar os direitos no futuro é lutar por eles no presente! A nossa luta é a luta da solidariedade intergeracional.

Nós defendemos intransigentemente a manutenção do vínculo ao respetivo sindicato e à organização sindical dos aposentados que tem desempenhado um papel importante na defesa dos nossos direitos específicos: do direito a uma pensão digna após uma vida de trabalho e de outros importantes direitos sociais fundamentais à qualidade de vida e bem-estar nesta nova fase da vida , realçando evidentemente nesta faixa etária a importância do direito à saúde, na manutenção de uma ADSE robusta e cada vez mais abrangente, no seio do SNS onde incluímos evidentemente o apoio na dependência. mas também na dinamização da nossa participação nas lutas específicas e nas lutas sindicais mais gerais. Na verdade, o povo português e em particular os professores sabem que o caminho para a resolução dos problemas e para a construção de um futuro melhor é dar vida à democracia, participar e reivindicar, não desistir dos objetivos e das lutas que são justas e necessárias. Se o maior obstáculo é o medo e o maior erro é a cedência, cresçamos, agigantemo-nos porque só quem se agiganta mais que os outros ganha, mesmo que os outros sejam gigantes, mas só o são para fazer encolher os verdadeiramente grandes. É preciso ser grande na luta e na esperança. Na luta porque como diz Augusto Abelaira1 “lutar é nunca ter a consciência descansada” e nós, professores, somos lúcidos e por isso nunca teremos a consciência descansada; com esperança porque vale a pena ter esperanças, muitas e muitas. Nós, os que agora já não estamos no ativo, temos essa responsabilidade imensa: a de fazer passar para os mais jovens que também nós não vencemos todas as vezes que lutámos mas que temos a consciência de que perdemos todas as vezes que deixámos de lutar; que preferimos as lágrimas por não ter vencido do que a vergonha por não ter lutado.

Vamos a isto, colegas! Nós lá estaremos, com a esperança a embalar-nos. Sempre.

Viva o 12.º Congresso Nacional dos Professores !

Viva a FENPROF!

Maria Isabel Lemos

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