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06 out 2014 / 16:24

Afirmação de unidade e espírito de resistência e luta na jornada comemorativa do Dia Mundial dos Professores

"Com outro ministro, outra equipa, outro governo e outra política, o país poderá contar com os seus professores para construir um futuro melhor que é possivel e desejável. Esse é o compromisso que assumimos neste Dia Mundial dos Professores", declarou o Secretário Geral da FENPROF nos momentos finais da jornada comemorativa do 5 de Outubro, no Largo de Camões, em Lisboa. 

Em todo o Mundo, o Dia Mundial do Professor foi assinalado sob os auspícios da Internacional da Educação (IE), da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da UNESCO. Neste dia culmina uma campanha mundial promovida pela IE ao longo do último ano com o lema “Unidos por uma Educação de qualidade. Uma Educação melhor para um Mundo melhor”. Em Portugal, o ponto alto das comemorações foi vivido na baixa lisboeta, por iniciativa da Plataforma de Sindicatos de Professores (ASPL, FENPROF, SEPLEU, SINAPE, SIPE, SIPPEB e SPLIU). transformando-se numa afirmação de unidade e espírito de luta e resistência. E também de esperança.

Mário Nogueira deixou uma "palavra de esperança" e de "confiança no futuro", garantindo que "não baixamos os braços".  "Com outro ministro, outra equipa, outro governo e outra política, o país poderá contar com os seus professores para construir um futuro melhor que é possivel e desejável. Esse é o compromisso que assumimos neste Dia Mundial dos Professores", afirmou o dirigente sindical. Antes, já se tinham registado as intervenções dos dirigentes das outras organizações da Plataforma.

Solidariedade com os professores
na baixa de Lisboa

A jornada do 5 de Outubro começou com uma concentração no Rossio ao início da tarde, com milhares de docentes oriundos de diferentes zonas do país, destacando-se no desfile até ao Largo de Camões - alvo de inúmeras manifestações de solidariedade - as bandeiras das organizações sindicais que integram a Plataforma. E já que se fala de solidariedade, uma palavra sobre a presença solidária de representantes da CGTP-IN, da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, da Federação Nacional de Sindicatos do setor e de dois grupos parlamentares.

"Crato vai para a rua, a escola não é tua", "A Educação é um direito, sem ela nada feito", "É preciso, é urgente uma política diferente" "Crato sabichão dá cabo da Educação" foram algumas das palavras de ordem ouvidas na baixalisboeta. 

As equipas de reportagem foram ao encontro de muitos participantes nesta iniciativa, salientando-se nas declarações captadas pelos jornalistas a exigência de
 outra política e  de um governo capaz de garantir uma Educação de Qualidade, na qual os professores têm de ser considerados como recurso fundamental à sua concretização; a determinação na defesa de uma profissão que, ao contrário do que Crato deseja, continua a ser de futuro e amobilização para o combate às medidas que têm sido impostas por um governo há muito tempo desligado dos interesses, dos anseios, das expetativas e dos direitos de todos os portugueses.

Particularmente em foco nessas declarações prestadas aos jornalistas esteve a situação de desemprego, precariedade e instabilidade laboral que o MEC continua a impor a milhares de docentes, num quadro marcado pela confusão instalada em muitas escolas, de norte a sul do país. Como diria Mário Nogueira no início da sua intervenção, "os professores não são números, são pessoas e têm família. E quando se desrespeitam os professores, desrespeitam-se também as suas famílias".

Na tribuna improvisada estiveram filhos e filhas de professores desempregados, vítimas das "trapalhadas" do MEC de Nuno Crato (ver reportagem fotográfica de J. Caria).

Um ato simbólico...

Neste  5 de Outubro 2914, os professores trouxeram consigo um livro que cada um ofereceu a quem passou pelos locais do desfile e depois nas concentração final, no Largo de Camões. Com esse livro foi ainda entregue um marcador, assinalando esta iniciativa mundial, e um texto, dirigido à população, com o qual se pretende esclarecer por que esta luta não é só dos professores e deve envolver todos os portugueses. Um ato simbólico de quem atribui à Educação e à Cultura um papel essencial no desenvolvimento humano e no bem estar social.

Este 5 de Outubro marcou, ainda, o início de um processo de auscultação dos docentes portugueses, em todo o país, nas escolas e agrupamentos, envolvendo as várias estruturas sindicais, através da distribuição, no Largo de Camões,  de um questionário de preenchimento individual, e de debate em centenas de reuniões que se realizarão em todo o país, incluindo regiões autónomas. Dessas reuniões e auscultação resultarão indicadores importantíssimos para o desenvolvimento de processos reivindicativos com o envolvimento dos professores, educadores e investigadores.

A jornada terminou, em dia de comemoração da República, com "A Portuguesa". / JPO


 
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