Proposta global da FENPROF para a revisão do Estatuto da Carreira Docente
Proposta global de revisão do Estatuto da Carreira Docente, resultante de mais de 380 reuniões em que participaram mais de 6 mil professores e aprovada em Plenário Nacional a 7 de março de 2025.
Em outubro de 2026, a proposta foi atualizada de modo a incluir os valores da escala remuneratória propostos pela FENPROF para o ano 2026.
A Revisão do Estatuto da Carreira Docente
(Excerto do texto apresentado na conferência de imprensa de encerramento do ano letivo 2026/26, realizada em Viseu no dia 30 de junho de 2026)
Só em setembro de 2025 foi retomado o processo negocial que havia sido interrompido devido às eleições legislativas e à tomada de posse de um novo governo da AD. Regressou-se, então, à discussão do protocolo negocial no ponto em que havia sido interrompida
Foram doze reuniões à razão de uma por mês, à exceção de outubro em que não houve qualquer reunião e de março, abril e maio em que se realizaram, duas reuniões por mês. No total foram 15 documentos, se considerarmos também o parecer que será enviado na próxima sexta-feira, elaborados e defendidos pela FENPROF sobre as matérias tratadas: Protocolo Negocial; Tema 1 – Perfil Geral do Docente, Direitos, Deveres e Garantias; e Tema 2 – Habilitação para a Docência, Recrutamento e Admissão.
Contudo, o que resulta da dúzia de reuniões realizadas e, mais importante ainda, do que o MECI foi dando como tratado e concluído, não só não melhora o ECD em vigor como até o agrava.
Relativamente ao protocolo negocial, que a FENPROF não subscreveu, o MECI recusou estabelecer uma calendarização para o processo negocial, designadamente um prazo para a sua conclusão; excluiu a negociação de matérias estruturantes, como a aposentação, a mobilidade e o regime disciplinar; e rejeitou que a revisão da carreira docente, do estatuto remuneratório e do modelo de avaliação do desempenho, constituíssem as primeiras matérias a negociar, como defendia a FENPROF, tendo em vista também a urgência sinais de valorização efetiva da carreira e da profissão.
Hoje percebe-se porquê: um ano depois, o processo está atolado no Tema 2 e sem fim à vista. [...]
- Consultar aqui o anexo 2, relativo à negociação da revisão do ECD, entregue aos jornalistas nesta conferência de imprensa
- Vê aqui o TRRIIIMMM!!!! com a explicação de tudo o que está em causa
Revisão do Estatuto da Carreira Docente 2025/2026
- Proposta de articulado para o DL sobre o recrutamento e colocação dos docentes - apresentado pelo MECI em 26 de junho de 2026
- Declaração apresentada pela FENPROF para juntar à ata da reunião de 26 de junho de 2026
- Parecer da FENPROF sobre Projeto de lei apresentado pelo MECI - enviado em 3 de julho de 2026
- Documento enviado pelo MECI em 18 de maio de 2026
- Apreciação da FENPROF ao documento do MECI apresentada no plenário de esclarecimento de 20 de maio de 2026
- Parecer da FENPROF sobre a versão de articulado enviada pelo MECI após reunião em 18/05/2026, incluindo incontornáveis considerações sobre conteúdos e opções das propostas então apresentadas
- Proposta de articulado revisto relativa ao 2.º Tema da revisão do Estatuto da Carreira Docente: Recrutamento e Colocação - enviada pelo MECI em 27 de abril de 2026
- Parecer da FENPROF sobre a proposta de articulado relativa ao 2.º Tema da revisão do Estatuto da Carreira Docente: Recrutamento e Colocação - enviada ao MECI em 30 de abril de 2026
- Powerpoint da FENPROF apresentado no plenário de esclarecimento de 30 de abril de 2026
Sem transparência, sem negociação séria e sem respeito pelos professores, temos de voltar à luta!
O que se passou na reunião da passada segunda-feira, 20 de abril, com o MECI, não pode deixar os professores indiferentes — e exige uma resposta firme, esclarecida e coletiva. Desde logo, é inaceitável que, mais uma vez, tenhamos participado numa reunião sem que, da parte do governo, haja uma proposta articulada das suas ideias e sem que tenha sido disponibilizado qualquer documento escrito com os conteúdos apresentados. Apenas slides, atrás de slides em sucessivas reuniões que nem são, sequer, de negociação.
Continuamos, assim, impedidos de analisar com rigor propostas que poderão ter um impacto profundo na vida profissional de milhares de docentes. Foi agendada nova reunião para o próximo dia 27 de abril, mas nem sequer é certo que, até lá, venha a ser apresentado um projeto de articulado.
Na reunião, o próprio Ministro assumiu a condução da apresentação, limitando-se a expor, através de um conjunto muito reduzido de diapositivos, ideias gerais para alterar o modelo de concursos (DL 32-A). Repetiu o discurso de que o sistema atual é ineficiente, responsabilizando-o pela demora nas colocações e até pela existência de alunos sem aulas — uma leitura simplista que ignora anos de opções políticas que fragilizaram a escola pública e desvalorizaram a profissão docente.
O modelo apresentado assenta em princípios que, sendo enunciados de forma aparentemente positiva — como a estabilidade do corpo docente ou o direito à mobilidade —, escondem soluções que levantam sérias preocupações. Desde logo, a introdução dos chamados “mapas de pessoal” e a redefinição dos mecanismos de colocação podem traduzir-se numa maior precarização e numa gestão mais administrativa e menos transparente das carreiras.
A proposta de divisão do concurso em dois "procedimentos concursais" — um interno/externo para necessidades permanentes, incluindo também a mobilidade interna, e um procedimento contínuo para necessidades temporárias — levanta igualmente fortes reservas. Por um lado, persistem dúvidas essenciais sobre os mecanismos de vinculação, nomeadamente o futuro da norma-travão e da vinculação dinâmica. Por outro, o chamado “procedimento concursal contínuo”, com colocações diárias e um sistema automatizado de seleção, aproxima-se perigosamente de um modelo de contratação desregulada, semelhante à contratação de escola, ainda que centralizado. A possibilidade de candidaturas permanentes ao longo do ano e a resposta quase imediata a necessidades identificadas podem, na prática, fragilizar direitos, aumentar a instabilidade e colocar em causa critérios de justiça e transparência conquistados ao longo de décadas.
Acresce que necessidades permanentes que surjam durante o ano letivo serão tratadas como temporárias, adiando a sua resolução estrutural e perpetuando situações de precariedade. Ao mesmo tempo, é avançada a ideia de que a mobilidade interna poderá ser esvaziada, sem garantias de que o apuramento de vagas venha, de facto, a ser rigoroso e justo.
Perante este cenário, não há margem para passividade. O que está em causa não é apenas um modelo de concursos: é a defesa da dignidade da profissão docente, da estabilidade das escolas e do direito dos alunos a um ensino de qualidade. Sem transparência, sem negociação séria e sem respeito pelos professores, qualquer reforma será sempre motivo de desconfiança e contestação.
É, por isso, fundamental que todos os docentes se informem, acompanhem este processo e se envolvam ativamente na defesa dos seus direitos. A história mostra que nenhum direito foi conquistado sem luta. Este é um momento decisivo que exige unidade, participação e determinação.
Lisboa, 23 de abril de 2026
O Secretariado Nacional da FENPROF
- Documento apresentado pelo MECI na reunião de trabalho no âmbito do processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente, dedicada ao Tema 2 do protocolo negocial e à respetiva legislação subsidiária
- Posição da FENPROF relativamente ao documento apresentado pelo MECI na reunião de trabalho, enviada a 10 de abril de 2026
- Propostas enviadas pelo MECI em 3 de março de 2026 sobre o 2.º tema da revisão do ECD: Habilitações para a Docência, Recrutamento e Admissão
- Posição da FENPROF sobre a proposta de articulado enviada pelo MECI em 3 de março de 2026
- Posição da FENPROF sobre as propostas apresentadas pelo MECI em 18 de fevereiro, retificadas e enviadas novamente em 6 de março, juntamente com a Posição da FENPROF sobre o articulado proposto pelo MECI
- Declaração da FENPROF para a ata da reunião de 2 de março de 2026
- Proposta "final" enviada pelo MECI em 13 de março de 2026 sobre o 2.º tema da revisão do ECD: Habilitações para a Docência, Recrutamento e Admissão
- Ofício da FENPROF com exigência de esclarecimentos e de continuidade da negociação enviado ao MECI em 16 de março de 2026
- Propostas enviadas pelo MECI em 17 de fevereiro de 2026 sobre o 2.º tema da revisão do ECD: Habilitações para a Docência, Recrutamento e Admissão
- Declaração da FENPROF para a ata da reunião de 18 de fevereiro de 2026 sobre questões ainda sem resposta do MECI
- Posição da FENPROF sobre as propostas apresentadas pelo MECI em 18 de fevereiro
- Documento enviado pelo MECI a 5 de janeiro para a segunda reunião sobre o 1.º Tema da Revisão do ECD: Perfil Geral do Docente, Direitos, Deveres e Garantias
- Documento enviado pelo MECI a 7 de janeiro para a segunda reunião sobre o 1.º Tema da Revisão do ECD: Perfil Geral do Docente, Direitos, Deveres e Garantias - "versão pós negociações sindicais"
- Posição da FENPROF sobre a versão atualizada do articulado proposto para o tema I - enviado a 8 de janeiro de 2026
- Documento apresentado pelo MECI na reunião sobre o 1.º Tema da Revisão do ECD: Perfil Geral do Docente, Direitos, Deveres e Garantias
- Parecer da FENPROF sobre as propostas apresentadas pelo MECI/governo relativas ao 1.º Tema – Perfil Geral do Docente, Direitos, Deveres e Garantias - enviado a 31 de dezembro de 2025


