JF online junho de 2026
Duas Palavras

Por cá, festeja-se uma derrota!

01 de julho, 2026

Rogério Ribeiro
Membro do SN da FENPROF

Não, não vamos falar do Mundial, do Lamine Yamal ou do Vozinha. Apresentamo-nos para dizer aos arautos da boa nova, aos proclamadores de vencedores prodígios, ou aos construtores de beneplácitos vultos honoríficos que se desiludam, pois, esta vitória, que é a derrota do pacote laboral, não é de ninguém ­— é do povo! A vitória é de quem trabalha, de quem recusou desistir e, em pleno século XXI, lutou contra o regresso ao século XIX. E neste processo, uma enorme força coletiva, que atende por CGTP, desempenhou um papel determinante, assumindo-se como a principal força de mobilização social e sindical contra um conjunto de propostas que agravavam a precariedade, facilitavam os despedimentos, enfraqueciam a negociação coletiva e diminuíam a proteção dos trabalhadores.

De pouco valeu a central sindical ser excluída das negociações, num ato representativo do entendimento de democracia montenegrina; difamada pelo comboio dos opinionmakers a soldo, que pululam de canal em canal; ou ultrajada pelos influencers (seja lá o que isso for!) que de rede em rede fakeavam verdades. O povo, esse, soube sempre em quem confiar e em quem se apoiar. Os trabalhadores souberam, sempre, quem os defendia e rejeitaram cantos de sereia, promessas milagrosas ou os bolos que servem para enganar os tolos.

Desde a apresentação da proposta do governo (jul/2025) que a CGTP promoveu uma intensa campanha de esclarecimento, denunciou as consequências do pacote laboral em múltiplos plenários e reuniões nos locais de trabalho ou nos encontros e debates públicos. Organizou inúmeras concentrações e manifestações, envolvendo milhares de trabalhadores de diferentes setores de atividade, onde a participação dos educadores e dos professores, progressiva, acabou por ser significativa. E depois, houve duas greves gerais, com a participação de milhões de portugueses. Esta mobilização nunca deixou que o tema saísse do centro do debate político e social, pressionou o governo e os partidos representados na Assembleia da República. Foi esta força que contribuiu para a construção de uma ampla convergência na rejeição do pacote laboral, reforçando a ideia de que a defesa dos direitos laborais constitui um elemento essencial da democracia e do desenvolvimento económico.

Esta luta, que o povo tomou em mãos, evidenciou a importância da ação sindical na defesa dos direitos conquistados e demonstrou que a participação organizada dos trabalhadores continua a ser o instrumento fundamental para influenciar as decisões políticas e defender um modelo de relações laborais baseado na dignidade, na justiça social e no respeito pelos direitos consagrados na Constituição. Mostrou que o povo, quando unido, nunca é vencido!