“Um professor é sempre professor. Somos a geração que lutou pela Escola Pública, pela Gestão Democrática, pela LBSE, pelo ECD. E quando lutámos foi para, também, deixarmos todas estas conquistas para os vindouros, alunos e professores”.
São palavras de Helena Gonçalves, Coordenadora do Departamento de Professores Aposentados, da FENPROF, numa entrevista ao JF a propósito da realização no próximo mês de novembro, em Coimbra, da 4ª Conferência Nacional do setor. A dirigente sindical destaca a promoção de 6 debates, da responsabilidade dos Sindicatos, no âmbito da atividade preparatória da Conferência e refere o aumento do número de sócios aposentados.
JF - Quais são os objetivos centrais da 4.ª Conferência Nacional de Docentes Aposentados da FENPROF, que se realizará a 24 de novembro de 2026, com o lema “CUMPRIR A CONSTITUIÇÃO – UNIR FORÇAS – DIGNIFICAR A APOSENTAÇÃO”?
Helena Gonçalves (HG) - Temos como objetivo fazer a caracterização das diversas situações em que se encontram os docentes aposentados, para atualizarmos as reivindicações neste contexto político. Foi um trabalho que fomos fazendo, na concretização dos Planos de Atividades anuais. Estamos, sobretudo, com a preocupação de encontrarmos formas de luta para um envolvimento mais forte dos aposentados.
JF – A mobilização é fundamental…
H. G. - Como sabem, a concretização das lutas não se faz apenas com o envolvimento dos dirigentes, os lesados também têm de se envolver com força e determinação. Por exemplo, quando dizemos aos colegas aposentados que vamos à manifestação com o pano dos aposentados, por forma a mobilizá-los, não é porque precisemos de pessoas para pegarem no pano, os dirigentes que vão, são suficientes, é preciso, sim, um número elevado de aposentados que valorizem as reivindicações e mostrem determinação na luta. Sabemos que, nestas idades, já há muitos colegas com dificuldades de mobilidade, então, maior responsabilidade têm os que ainda conseguem deslocar-se! É com satisfação que informamos que o número de sócios aposentados, está a aumentar nos nossos sindicados.
JF - Fala-nos do "método" que o Departamento adotou na preparação desta importante iniciativa, ao realizar diferentes debates temáticos nas regiões.
H.G. - Já há dois anos, também com este objetivo e por causa do contexto político em que nos encontramos – ataques aos serviços públicos, Segurança Social pública posta em causa, ADSE que não dá a resposta necessária… - organizámos, on-line, dois debates, um sobre a Segurança Social e outro sobre a ADSE, com o objetivo de esclarecermos um maior número de sócios, já que a adesão à luta se faz através do conhecimento.
Este ano organizámos 6 debates da responsabilidade dos sindicatos, presenciais e simultaneamente online, mais uma vez para conseguirmos abranger um maior número de aposentados. As abordagens foram as seguintes – SPN - “Envelhecimento saudável”; SPM - “Cumprir a Constituição/Respeitar a autonomia”; SPGL - “Da perda de poder de compra à necessidade de o recuperar”; SPRA - “Envelhecimento com Dignidade; A Constituição da República Portuguesa e os Direitos dos Aposentados”; SPZS - “A segurança económica dos idosos – pensões dignas/ Direito consagrado na Constituição da República Portuguesa”; SPRC - “APOSENTAÇÃO ATIVA: Participar nas Lutas; Intervir nas Decisões. Defender a Constituição”. Quem não teve possibilidade de participar na altura poderá fazê-lo agora no nosso site – FENPROF Aposentados, onde encontrarão os links respetivos.
JF – Onde é que se vai realizar a 4ª Conferência? Fala-nos também dos participantes (delegados e convidados) e de outros pormenores sobre a realização da iniciativa.
H.G. – Esta é a 4ª Conferência Nacional, realizada desde a formação do Departamento em 2013. A 1ª foi em Lisboa – “O importante papel dos/das aposentados/as na sociedade e o respeito que lhes é devido”. A 2ª no Porto – “Afirmar direitos – Valorizar pensões – Dignificar a aposentação”.
A 3ª de novo em Lisboa, no quarto ano após a realização da 2ª por causa do Covid – “Um Envelhecimento e uma Aposentação Dignos com Direito aos Direitos”.
Agora, a 4ª será em Coimbra. Procuramos mudar de zona para permitir um maior envolvimento de outros, dirigentes e sócios/as. Estas iniciativas exigem muito envolvimento prévio – encontrar local apropriado (não esquecer que neste caso temos de ter em consideração os problemas de mobilidade, por exemplo), espaços para dormirem os que vêm de mais longe ou não tenham condições para fazerem as viagens das duas deslocações no mesmo dia.
A par das questões logísticas temos as de preparação dos documentos a serem aprovados – Resolução para um triénio, Relatório de Atividades, Moções, Documentos de Apoio…realização de plenários para discussão dos documentos e eleição dos delegados. Nos convidados, para além de outros, temos sempre connosco representantes, por exemplo, da Inter-Reformados/CGTP-IN e da Frente Comum, organizações sindicais que fazem as negociações com o Governo, dos assuntos que nos dizem respeito.
JF: Fala-nos também do significado e do impacto da recente CARTA ABERTA DE PROFESSORES APOSENTADOS AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E INOVAÇÃO, subordinada ao tema “Ativos na luta – intervimos em defesa da Escola Pública e da Profissão Docente”
H.G. - Um professor é sempre professor. Somos a geração que lutou pela Escola Pública, pela Gestão Democrática, pela LBSE, pelo ECD. E quando lutámos foi para, também, deixarmos todas estas conquistas para os vindouros, alunos e professores. Neste momento de tentativa de destruição de todas estas conquistas, não podendo nós já fazer greve, estamos, lado a lado, nas manifestações, com os nossos colegas, que se encontram no ativo.
A par disto, considerámos oportuno reforçar a nossa “luta” com uma CARTA ABERTA DE PROFESSORES APOSENTADOS AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E INOVAÇÃO. Não é fácil recolher assinaturas porque já não temos a escola como ponto de encontro, mas vamos recolhendo as subscrições nas atividades que desenvolvemos, nas manifestações e online. “Dói” muito assistir a esta situação, mas a luta continua!


