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Folha verde

Escolas e Jardins de Infância mais frescos precisam-se!

01 de julho, 2026

José Janela
Quercus - ANCN

Com as ondas de calor cada vez mais frequentes, intensas e prolongadas, há locais que deveriam funcionar como verdadeiros refúgios térmicos. As escolas e os jardins de infância estão entre eles. É nestes espaços que passam grande parte do dia milhares de crianças, particularmente vulneráveis às temperaturas extremas. Também o corpo docente está mais envelhecido e inclui cada vez mais profissionais com doenças crónicas, tornando-se igualmente mais sensível aos efeitos do calor.

No entanto, muitas escolas portuguesas continuam mal preparadas para enfrentar esta realidade. Grande parte dos edifícios foi concebida para um clima diferente do atual. Falta isolamento adequado, proteção solar, ventilação eficiente e estratégias de adaptação ao calor. Nos espaços exteriores, o problema repete-se: recreios cada vez mais dominados pelo betão, pelo alcatrão e por superfícies sintéticas que acumulam calor, enquanto as árvores e as zonas de sombra são frequentemente insuficientes.

A ciência tem demonstrado que a vegetação urbana é uma das formas mais eficazes de reduzir as temperaturas nas cidades. As árvores refrescam o ambiente através da sombra e da evapotranspiração, mas para isso necessitam de solos permeáveis e disponibilidade de água. Quando os terrenos são impermeabilizados, reduz-se a infiltração da chuva, baixa o nível freático e enfraquece-se a capacidade de arrefecimento natural da vegetação.

Infelizmente, continuam a existir intervenções em escolas e jardins de infância que substituem áreas naturais por pavimentos impermeáveis. Em vários países europeus segue-se precisamente o caminho inverso, removendo betão e alcatrão para criar recreios mais verdes, frescos e favoráveis ao contacto das crianças com a natureza.

Existem também medidas simples que podem ajudar a enfrentar o calor: criar "oásis de frescura", aumentar as zonas de sombra, plantar árvores, melhorar a ventilação dos edifícios, a abertura dos edifícios durante as horas mais frescas, a ventilação noturna, e adaptar horários durante os períodos mais quentes. Contudo, continua a ser necessária uma renovação profunda de muitas escolas, apoiada por técnicos e investimento público adequado.

 

Temperatura máxima para atividades letivas

Mesmo com medidas de adaptação, prevê-se que as ondas de calor continuem a aumentar. Por isso, é tempo de discutir seriamente em Portugal a definição de limites de temperatura para o funcionamento das atividades letivas, à semelhança do que acontece noutros países.

O calor excessivo afeta a aprendizagem, a concentração, a saúde e o bem-estar de alunos, docentes e trabalhadores da educação. Adaptar as escolas às alterações climáticas não é um luxo: é uma necessidade de saúde pública, de justiça climática e de qualidade educativa.