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Região Autónoma da Madeira

A caminho dos 50 anos: as guardiãs de um legado

01 de julho, 2026

Jackeline Órfão Vieira
Vice-Presidente do SPM

Neste caminho para os 50 anos do SPM e na preparação desta data tão significativa, surgem inevitavelmente memórias.

No coletivo, aparecem fotografias a preto e branco, muito poucas, comparadas com a abundância de imagens dos dias de hoje, em que por vezes até parecem ser demais. Mas são essas fotografias, esses registos e, sobretudo, as conversas com algumas sócias fundadoras e com quem testemunhou alguns dos marcos mais importantes destes 50 anos que nos ajudam a compreender quem somos e de onde vimos.

Recentemente, fomos desafiados a refletir sobre quem são as aposentadas. Para mim, que tenho praticamente a idade do Sindicato, elas são as verdadeiras guardiãs deste legado. Muitas estiveram presentes na fundação do SPM; outras chegaram logo depois e ajudaram a consolidar o caminho percorrido. São exemplo, são âncora, são estrela polar.

Muitas sentem ainda hoje os retrocessos que ocorreram na nossa profissão, vendo desaparecer conquistas que ajudaram a alcançar com determinação e coragem. É precisamente por isso que temos a responsabilidade de preservar este legado e continuar a luta que iniciaram.

Numa dessas conversas surgiu uma questão: porque é que algumas pessoas se desfiliam quando se aposentam? Muitas justificam que, com a aposentação, o Sindicato deixa de fazer sentido. Sem querer julgar ninguém, talvez não tenham percebido que o Sindicato é, acima de tudo, uma expressão da luta coletiva. Não existe apenas para defender interesses individuais, mas para garantir direitos para todos. Há até quem, já em lares ou enfrentando dificuldades próprias da idade, continue a dar orientações para que a quota sindical seja mantida. No SPM, essa quota passa para apenas 0,5% após a aposentação.

Aprendemos muito com estas mulheres. No meu Sindicato, pelo menos, 87,5% das aposentadas são mulheres que, numa época em que não era fácil às mulheres assumirem posições públicas, recusaram ser submissas. Defenderam direitos, deram voz aos mais desfavorecidos e lutaram por uma escola melhor e mais justa.

Há quem tenha clubes ou associações como espaço de pertença. Eu tenho o meu Sindicato. Um Sindicato que foi construído por quem veio antes de mim, que hoje continuo a ajudar a construir e que permanecerá depois de mim.

É um privilégio estar perto destas mulheres, guardiãs de uma luta feita por todos e para todos os docentes.

Obrigada por tudo.

Agora, a caminho dos 50 anos, o brinde será por quem já não está, mas tanto deu; por quem continua presente; por quem chegou recentemente; e por quem ainda chegará.

Porque a história do Sindicato escreve-se todos os dias, geração após geração.