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FENPROF

 Sindicato dos Professores no Estrangeiro
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11 jul 2019 / 08:38

Allez enfants de la Patrie, hablemos español ! Basta de José, o maçon e Maria la concierge !

Na sequência do acordado durante o período da manhã de 9 de julho, reuniu a delegação do SPE/FENPROF com a delegação do Camões, IP, presidida pelo Dr. João Neves por impedimento do senhor Presidente, Embaixador Luís Faro Ramos.

Da ordem de trabalhos constam: a) Problema com o ensino da língua portuguesa em França; b) Problema com a secção internacional de Estrasburgo.

Foram inicialmente abordados diversos problemas entre os quais o mais recente surgido em França com a atitude unilateral do governo francês em retirar o valor merecido pelos alunos que frequentam o ensino da língua e que contava para a média final dos cursos em termos do ingresso no ensino superior. Nesta problemática importa realçar e enaltecer o trabalho desenvolvido pelo chefe de missão diplomática em França.
Na oportunidade foi posta em evidência o trabalho efetivo desenvolvido pelo Embaixador tal como importa realçar o trabalho em prol do ensino da língua e cultura portuguesas que tem pautado a atuação do Embaixador de Portugal no Luxemburgo que, contra tudo e contra todos, tem pugnado para que os escolhos que são colocados a cada passo nos caminhos a percorrer os mesmos têm sido retirados e têm permitido uma prática de ensino digno tal como digna é a comunidade portuguesa presente nos dois países.
Pode Portugal no Luxemburgo bem como em França contar com dois acérrimos defensores do ensino da língua de Camões. Afigura-se-nos que as autoridades francesas estão mais viradas para a língua de Cervantes e para a sua defesa e implementação dada a proximidade geográfica! O francês, considerada a 10ª língua mais falada no mundo e que ombreia com o alemão, o malaio, o javanês e outros deve ser um dos motivos para a política linguística do governo francês ao procurar minimizar a gradeza da língua lusíada. Já no que toca à língua espanhola, falada em cerca de 30 países, distribuídos na sua maioria pela América Latina, o espanhol conta com aproximadamente 400 milhões de falantes em mais de 44 países, tendo o mesmo número de falantes não nativos.
A língua espanhola, uma língua falada em aproximadamente 30 países, distribuídos em sua maioria na América Latina (sem contar a Espanha). O espanhol conta com aproximadamente 400 milhões de falantes em mais de 44 países. E quase o mesmo número de falantes não nativos. Para os brasileiros, os que falam português, o espanhol é um idioma especialmente interessante por duas razões. Primeiro pela proximidade geográfica com países que falam essa língua. Mas também por ser um dos idiomas mais fáceis de aprender para nós, nativos em português. Importa realçar aqui que é muito importante a comunicação linguística existente na rota do contrabando de ouro proveniente do Brasil e levado pelas grandes multinacionais para a Guiana e para o Suriname, entre outros!

Nunca se viram quase dois milhões de alunos a estudar espanhol em França, como agora! Porque será? Pensamos que, como foi afirmado, o português é uma língua de trabalho, braçal, desqualificada... Não, o português é uma língua de afetos, de paixões, de ciência, de literatura, de poesia, internacionalmente considerada mas, como temos visto tem havido um desinvestimento cada vez mais notável na política de ensino da língua francesa. O alemão, o francês, o malaio, o javanês, o panjabi… Nós não sabemos ao certo. Muitas línguas disputam o décimo lugar do top 10 de idiomas mais falados do mundo... ou menos falados?!!! Um destes anos ainda vamos ver os estudantes franceses a inscreverem-se em basco ou catalão, dada a projeção das mesmas línguas. Esta posição, assim como as precedentes, varia em função de diversos fatores, eles mesmo de caráter duvidoso, tais como o número de habitantes, por exemplo.

Dizem os políticos franceses que os portugueses, em Portugal, não investem o que deviam no ensino da língua francesa!  Por acaso esquecem-se que quase dois terços do que é gasto no ensino da língua portuguesa em França é pago pelo estado português? E quanto gasta o governo francês a pagar o ensino da língua francesa em Portugal? E onde está a comunidade lusófona residente em França? Onde está a assunção de uma política frontal contra este estado de coisas a que se estão a assistir? A ver os ranchos ou a jogar quilles ou pétanque!!! Ou terão vergonha de falar e de se identificar como portugueses!??! Será que não há orgulho em oitocentos anos de história, nas nossas tradições, na nossa cultura? Será que a Historinha contada na “Gaiola Dourada” é mesmo o reflexo daquilo que verdadeiramente somos? Ou que querem que sejamos?!!!

Ou será que se verifica um retorno a tempos já idos de uma “certa” cultura francesa, muito habituada a ver Portugal como um simples apêndice espanhol ao mesmo tempo que se priva de conhecer um dos países mais franco filólogo do mundo. Como afirmava um francês do século XVIII que, se os portugueses não o fossem prefeririam ser franceses! A vaga de imigração portuguesa para França não pode ser justificada somente por razões económicas. Onde pairam as perseguições políticas de Salazar, da Pide, a guerra colonial? A memória dos homens é curta!

Sempre houve um fluxo bilateral de influências. É óbvio que mais motivadas pelo desejo português de importar que pelo lado francês de influenciar.

Até Bell, afirmou um dia que considerava o misticismo português mais persistente que o espanhol.

Em algumas linhas sublinhou: “que extraordinários foram os feitos de Portugal nas Descobertas e nas Conquistas, a sua literatura não é indigna deles... termina dizendo que ao Renascimento português, precisamente o período das Descobertas, enquanto expansão pacífica e essencialmente religiosa e comercial foi um período profundamente original.

Sabemos bem que para os franceses, estes nunca souberam fazer a diferença entre um grande povo e um povo de grande dimensão demográfica. Os portugueses sempre foram um povo parco de gentes, mas rico culturalmente. Mesmo quando tiveram um império enorme o mesmo custou ao país muitas vidas: “Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal, diria Pessoa.

A nossa cultura jamais será uma cultura portuguesa à espanhola e muito menos uma subdivisão de segundo nível da cultura espanhola, periférica. Para os franceses pode sê-lo...

Se os grandes pensadores políticos franceses não tivessem sido também escritores, provavelmente tudo se teria passado de forma bem diferente.

Nos nossos dias, é preciso confessá-lo, a crise do prestígio da língua francesa deve-se sobretudo a uma crise de sociedade que abandonou a sua literatura e desprezou os seus modelos. A uniformização do mundo é, em grande parte o fruto dos media massificadores – da música, dos filmes e dos programas de televisão, A internet... Tudo isto é também verdade para a nova aculturação do Portugal contemporâneo, já pouco se lê e as turmas de francês ficam cada vez mais vazias! Infelizmente.

A cultura francesa corre o risco de tornar-se um fenómeno elitista de aculturação num contexto de cosmopolitismo cinzento que nem sequer o inglês falará, mas outro sim, o espanhol!!!

Shakespeare ficaria chocado com a nova língua veicular a (língua franca ou castelhana) ...

Será que para os portugueses, ser afrancesado poderá um dia ser a única solução de pertencer à latinidade, cidadão do lago romano e manter mesmo as suas próprias raízes?

O universalismo lusófono implica a defesa, entre outras, da cultura francesa contra o cosmopolitismo cinzento, o esperantismo cultural – uma das caras do corretamente político e cultural. E isso porque o sonho do paraíso dos franceses é o Brasil! Sonho dos portugueses que felizmente tiveram a oportunidade de o viver.

Reiteramos: por onde andam os portugueses, de Portugal sejam eles da segunda ou terceira geração? Deixaram-se encantar pelas grandes avenidas da cidade luz ou têm vergonha de dizer, alto e bom som: eu sou português e com muito orgulho?

Contra tudo e contra todos, nomeadamente contra o ministro da educação Meisch que umas vezes é peixe e outras nem sabemos com o que contamos observamos o esforço, a frontalidade, a fibra e a determinação do nosso Embaixador no Luxemburgo. Ficou ainda claro que há uma evidente falta de atividade das Coordenações, e são algumas, que se perpetuam nos cargos e vão perdendo o élan que as caracterizavam no início da assunção dos mesmos cargos. O caso evidente e mais recente prende-se com a secção internacional de Strasbourg onde, de forma inoperante e errática a senhora Coordenadora em França nada fez e como tal, nada foi conseguido. Mudança é precisa!

Interessante é a política das novas “Escolas Internacionais” no que ao ensino da língua e cultura portuguesas diz respeito. Corta-se a frequência, dificulta-se a sequência de aprendizagem e os pais perante o estado da situação decidem-me por outra língua. Sintomático como a França onde não há «milagre», termos perto de 2 milhões de alunos a frequentar o ensino da língua de Cervantes? Porque será? o fluxo migratório espanhol aumentou de uma forma TÃO EXPONENCIAL? Será que um destes dias a comunidade espanhola vai assumir o lugar agora ocupado pela portuguesa ou será tão somente em termos de estatísticas de frequência das escolas internacionais, que assim o impõem?

Estes e outros assuntos fazem parte de outra temática relacionada com a reunião do dia oito de julho, mas com a exclusiva intervenção dos responsáveis do Camões, I.P.

 

SAUDAÇÕES SINDICAIS.

9 de julho de 2019

Comissão Executiva do SPE/FENPROF

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