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 Sindicato dos Professores no Estrangeiro
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04 fev 2014 / 16:19

O bom, o mau e o vilão

“ Nuno Crato quer professores nas escolas inglesas para promover o português”.

 Nós, professores a trabalhar no EPE também queremos, e muitos! Mas não só em Inglaterra, nos outros países também. Esta vontade súbita veio mais uma vez demonstrar quanta desorganização reina no Governo português; quanto cinismo e hipocrisia alimenta estas figuras que, em público e em conferências internacionais vêm proferir este tipo de afirmações. Não satisfeito com os desmandos e malfeitorias das quais é ator principal em Portugal vem cometer uma ingerência grave nos assuntos internos do Ensino Português no Estrangeiro.

Por não dominar o assunto e manifestar um desconhecimento flagrante desta matéria vem, como o bom da fita propor aos ingleses dar-lhes formação em português para os colocar nas escolas, retirando possibilidades de trabalho aos milhares de professores que ele, só ele, lançou no desemprego! Porque não visita a comunidade portuguesa em Inglaterra e identifica os milhares de professores desempregados que tiveram de emigrar para as terras de sua majestade e que, em lugar de dar aulas andam a vaguear pelas ruas de Londres e outras cidades, de currículo na mão, mendigando um trabalho não importando qual o setor de atividade?

De um cinismo extremo é a proposta que vai fazer ao seu homólogo inglês, no sentido de ser o governo britânico a pagar essa tal formação. Mais uma vez o papel de ignorante lhe assenta como uma luva! Esquece-se que os ingleses, para que os curso de Língua e Cultura Portuguesas funcionem, exigem que se lhes pague o aluguer das instalações e por vezes até recusam a cedência? E a sugestão que irá fazer aos professores portugueses para que visitem as escolas inglesas, colaborando no ensino do português?

Há professores portugueses a trabalhar no Reino Unido a auferir salários de miséria, com cortes no pagamento das despesas de transportes que enfrentam todas as adversidades mas que vão desempenhando o seu trabalho de uma forma honesta  e profissional. Em vez de convidar outros para tirar o trabalho aos professores portugueses que já se encontram no terreno, proporcione-lhes condições e formação e, já que está tão magnânimo restitua-lhes os salários que auferiam para terem uma vida decente que, com os seus pares lhes vem retirando sistematicamente.

O Instituto Camões parece adormecido perante esta “ofensiva” do ministro Crato. Então a tarefa de expansão do ensino da língua portuguesa bem como a afirmação do “idioma” e da cultura para beneficiar os filhos dos emigrantes portugueses não são tarefas cometidas  ao seu campo de ação? Muito sinceramente o papel do mau da fita está a ser recebido com muita passividade. Os responsáveis do CICL até ao presente nada fizeram para colocar o ministro Crato no seu lugar se, por ventura ainda o mantém! Esta passividade na reação fica muito mal ao Instituto Camões! O CICL tem o perfeito conhecimento da orgânica de funcionamento do EPE, sabe bem das dificuldades sentidas pelos professores que trabalham no EPE nos diversos países europeus, tutela a Coordenação de Inglaterra e ilhas do canal, está ao corrente de todas as problemáticas e entraves colocados ao bom funcionamento dos cursos e não chama à razão este ministro que tudo tem feito para destruir a escola pública, que tudo tem feito para destruir os postos de trabalho dos professores e, permite-lhe agora tal ingerência em assuntos tão melindrosos como o EPE? Falta força política ou a este ministro tudo é permitido? Será este o ministro travestido de exterminador implacável? Ou o inverso também se verifica?

Desde que se operou a transição do EPE para o Ministério dos Negócios Estrangeiros e foi atribuída a tutela deste sistema especial de educação ao Instituto Camões, a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas assumiu o controle politico e legislativo da área do EPE. O Secretário de Estado tem por inerência  de cargo a coordenação e orientação das políticas relacionadas com o Ensino Português no Estrangeiro. Nas inúmeras viagens que efetua pela diáspora, nos contactos que tem com as comunidades portuguesas tem por obrigação ouvir e traçar as linhas orientadoras que procurem nortear este subsistema de ensino.

Como é que pode deixar que o ministro Crato venha “meter foice em seara alheia”? Ou será uma atitude concertada? Será que quer ficar na fita com o papel do vilão que introduziu a propina, que levou e levará à extinção de muitos e mais postos de trabalho e lançar no desemprego centenas de professores? A integração plena da língua portuguesa nos currículos nacionais dos países de acolhimento do EPE é um anseio há muito perseguido pelos professores e encarregados de educação dos alunos que frequentam os cursos de português. O Secretário de Estado, José Cesário não tem peso politico para fazer valer os projetos junto das entidades governativas dos diversos estados? É preciso pedir uma “ajudinha” ao seu colega de Governo, Crato, para que este transporte a sua política de terra queimada para o EPE? Não lhe basta destruir a escola pública, humilhar os professores com a PAAC e lançar a plena confusão com as reformas curriculares? E o que farão o SECP e o CICL para travar esta senha destruidora?

Da analogia com esta obra da sétima arte poder-se-ia salvar a banda sonora que a acompanha dado que o tempo que vivemos não está muito longe do faroeste americano Mas não está adaptada a este personagem. Para este argumento acompanhará melhor e com mais identidade o Requiem em D menor, de Mozart!

Esperamos que o bom da fita sinta, num momento de reflexão sobre todas as malfeitorias que tem praticado o mesmo que Mozart assumiu: “Temo que esteja a escrever um requiem para mim próprio”! 

Carlos Pato, Secretário Geral do SPE/FENPROF

 


 
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