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 Sindicato dos Professores no Estrangeiro
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05 mai 2013 / 12:38

Intervenção do SPE no 11º Congresso Nacional dos Professores

Companheiros,

 Viemos de longe, de muito longe...

A mala já não é de cartão! Já não é preciso fugir pela calada da noite, as fronteiras já não existem! Porém a diáspora continua... mas, sem mala de cartão.

Atualmente, com um diploma, uma carreira, um currículo, aqueles que não encontram no seu país um modo de vida, lá vão por esse mundo fora, deambulando por cidades, calcorreando ruas, dando início a outros dramas.

Uns conseguem integração no mercado de trabalho, outros não!

E que dizer da língua e da cultura portuguesas? Vai-se europeizando? Os lusodescendentes vão-se desenraizando, vão perdendo a sua identidade. Devemos deixá-los perder a sua identidade?! Cortar com o cordão umbilical que ainda os une ao país dos seus avós e pais?

O Ensino Português no Estrangeiro está ameaçado! O Governo português, através da Secretaria de Estado das Comunidades em cooperação com o Camões,IP, tem o propósito de, pouco a pouco, ir delapidando o EPE. Ao longo dos anos, as diferentes politicas para a Língua adotadas pelos sucessivos governos e pelos inúmeros Ministérios da Educação, os quais tomaram algumas medidas e que, em certa medida consideramos relevantes, ultimamente, com a passagem, algo atabalhoada para a tutela do CICL – Camões Instituto da Cooperação e da Língua, (a qual se tem vindo a revelar desastrosa no terreno), com absoluto desrespeito pelos professores, pais e alunos, o processo entrou quase em colapso. Para que conste: o fecho de consulados e despedimento de professores, lançando-os no desemprego sem qualquer perspetiva de colocação futura, ao mesmo tempo que retira e dificulta aos lusodescendentes o livre acesso à frequência dos cursos de língua e cultura portuguesas.

Já ontem o magnífico Reitor afirmou que, Camões passou fome, viveu e morreu na miséria, mas alguns usando e abusando do seu nome, vão engordando!

As nomeações obscuras de “boys and girls” para o desempenho de cargos de responsabilidade, quando os mesmos designados, já tinham dado provas de incompetências várias, devidamente comprovadas, mas que a água benta limpou e a mão do “padrinho” abençoou!!!

Os professores no EPE reivindicam um livre acesso, porque é um direito, de todas as crianças e jovens aos cursos de LCP;

Exigem o fim da famigerada propina, medida economicista e castradora das liberdades e direitos dos filhos dos emigrantes portugueses;

Exigem condições de trabalho que lhes permitam desenvolver a sua prática letiva sem se sentirem subalternizados pelos colegas autóctones.

Os professores no EPE exigem das autoridades diplomáticas e consulares uma maior pressão política junto dos governos dos países de acolhimento, no sentido da dinamização e divulgação do ensino da língua portuguesa, através de uma política de abertura de novos cursos, sejam eles do regime integrado ou paralelo;

 Exigem a integração da língua portuguesa como língua de opção no ensino secundário de modo a que a mesma ocupe o lugar a que tem direito e se faça respeitar dado o seu reconhecido valor, a nível internacional e possa contribuir como uma mais-valia para os seus aprendentes, quando integrados no mercado de trabalho e inseridos no contexto de uma economia à escala global.

Não nos permitiremos ficar “aninhados” perante o gigantismo brasileiro ou angolano. Temos valor, temos capacidades. Permitam-nos pôr em prática os nossos saberes!!!

Os professores no EPE, ano após ano, veem reduzidos o seu número e a sua qualidade de vida. Não passará muito tempo em que terão de bater à porta das instituições de apoio social dos governos dos países onde trabalham, solicitando a atribuição de um qualquer subsídio que lhes permita o pagamento da renda da casa ou o simples aquecimento dados o rigores do clima.

Não nos interessam discursos de circunstância!

Queremos dignidade porque somos dignos; queremos ser respeitados porque respeitamos; queremos trabalho porque somos trabalhadores!

Queremos uma verdadeira politica de língua que assente em pressupostos concretos e bem definidos e que aposte mais na divulgação do que na manutenção ou na supressão!

O EPE tem valor e os professores são respeitados pelas comunidades portuguesas. Os professores que estão a trabalhar no EPE são a resposta para a nostalgia e anseios dos muitos que amam a língua e as tradições portuguesas e que sentem saudades do país que os mandou embora!

Os professores a trabalhar no EPE não constituem um problema como alguns pretendem fazer ver e apregoam, que o EPE só provoca problemas, é incómodo e não produz qualquer retorno. Desenganem-se as elites que, provavelmente, vivem à custa dos muitos milhões das remessas que todos nós, emigrantes, enviamos para o nosso país, muitas vezes, no intuito de ajudar familiares que vivem neste momento em situações desesperantes.

Defendamos o presente para podermos ter futuro.

Há um sem número de razões que nos impelem a estarmos espalhados por esse mundo fora, empenhados na patriótica missão de dignificar a língua e a cultura portuguesas.

Defendamos a nossa profissão. Somos professores de corpo inteiro! Exigimos respeito enquanto tal, já que nos restringem as condições de trabalho e a dignidade enquanto cidadãos. A todos os ataques dizemos: Basta!!!

Viva o XIº Congresso da FENPROF!

Viva a todos os Professores de Portugal!

Viva a todos professores do EPE!


 
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