JF Online, janeiro 2026
FENPROF realizou encontro de trabalho

Os desafios da IA no Ensino Superior e na Ciência

26 de janeiro, 2026

Miguel Viegas
Membro do SN da FENPROF

Conforme anunciado, a FENPROF realizou no passado sábado, 24 de janeiro, um encontro de trabalho sob o lema «Os desafios da IA no Ensino Superior e na Ciência». Neste encontro exclusivamente presencial que juntou três dezenas de docentes e investigadores de todo o país, foram discutidas as grandes questões que se colocam no presente perante os anúncios de uma generalização do uso da inteligência artificial generativa a todos os níveis de ensino bem como ao setor da investigação.

Partindo de quatro interessantes intervenções de Cláudia Figueiredo (Universidade de Aveiro), Maria João Rendas (Instituto Superior Técnico), Paulo Brazão (Universidade da Madeira) e Pedro Vasconcelos (Universidade do Porto) que estarão todas disponíveis em vídeo no site da FENPROF –, seguiu-se um debate estimulante onde ficaram bem patentes as potencialidades da IA, mas também os seus limites e perigos, que podem advir do seu uso descontrolado ou ao serviço de outros interesses que não a formação pedagógica ou a criação de conhecimento.

Esta iniciativa, organizada pelo departamento de Ensino Superior e Investigação da FENPROF, acabou por se revestir de um interesse geral alargado aos restantes níveis de ensino. A esse propósito, logo na intervenção de abertura, o Secretário-geral da FENPROF, Francisco Gonçalves, colocava um conjunto de questões, deixando várias interrogações relacionadas com as “potencialidades e os perigos da IA”; uma administração pública dominada por algoritmos e plataformas, sem intervenção e controlo humano, apenas técnico; que influência terá na formação integral de crianças e jovens; ou os impactos que tem no planeta. Por último, o Secretário-geral da FENPROF deixou uma preocupação, associada a todas as anteriormente referidas: qual é a mão que vai guiar isto tudo. É o Mercado? Devem ser os Estados? Dizemos nós que deveriam ser os Estados, mas Estados preocupados com o interesse geral e não Estados em nome do Mercado a trabalhar para os grandes interesses e as grandes corporações. Ou seja, para que serve a IA? Para servir os grandes interesses económicos e políticos supranacionais ou servirá o interesse geral das pessoas, dos cidadãos, procurando que, no futuro, a vida seja melhor que no presente?”.

Num momento em que o governo acaba aprovar a sua “Agenda Nacional de inteligência Artificial (IA)”, é muito importante exigir, desde já, a participação dos professores e investigadores no processo, preservando assim a qualidade do processo educativo e o papel das instituições de ensino e investigação na emancipação dos jovens e no desenvolvimento do país. Mas para intervir sobre IA generativa é necessário estudar, conhecer e debater. Este encontro pretende assim ser o início de um processo que permita aos professores e à FENPROF estar em melhores condições de intervir e defender o ensino público bem como uma ciência ao serviço do país.