2.º e 3.º CEB e Ensino Secundário

Caos nos exames nacionais

21 de setembro, 2026

Desde os primeiros sinais de irregularidades e problemas na classificação dos exames nacionais do ensino secundário do ano letivo 2025/2026, em 8 de julho, a FENPROF alertou:

» O caos nos exames nacionais não é um acidente. É o resultado de dois anos de opções políticas erradas. 

«Os graves problemas que marcaram o processo dos exames nacionais não constituem uma surpresa, são a face visível da brutal demolição das estruturas e serviços do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), opção política do governo imposta e iniciada no verão passado. Os problemas confirmam o que na altura a FENPROF designou por desmantelamento da Administração Educativa». Logo nessa primeira intervenção, a FENPROF deixava claro que «Perante a gravidade da situação, o ministro da Educação não pode reduzir o que aconteceu a meras falhas técnicas, nem procurar diluir ou transferir responsabilidades para as escolas ou outros intervenientes. [...] As responsabilidades pelo caos vivido não podem, por isso, ser imputadas às escolas. São responsabilidades políticas de quem decidiu avançar com uma profunda reorganização/desorganização da Administração Educativa sem garantir as condições humanas, técnicas e organizacionais indispensáveis ao seu funcionamento, antes desbaratando-as, dispensando trabalhadores, e extinguindo serviços, com décadas de provas dadas e de reconhecida competência e credibilidade».


E foi nesse sentido que, em 17 de julho, a FENPROF apresentou uma denúncia junto da Procuradoria-Geral da República (PGR), requerendo a abertura de um processo de averiguação que permita apurar todas as responsabilidades inerentes ao processo de classificação dos exames nacionais do ensino secundário.

» FENPROF entrega pedido de abertura de inquérito e apuramento da responsabilidade na Procuradoria-Geral da República

Seguiram-se os pedidos do MECI para que os professores classificadores alterassem as suas férias, os pedidos de trabalho suplementar e noturno e as promessas de pagamento de uma compensação, que levaram a FENPROF, em 31 de julho, a pedir a interveção da Inspeção Geral da Educação e Ciência.

» FENPROF denuncia à IGEC e à ACT remuneração ilegal do trabalho extraordinário e pressões sobre professores classificadores

A IGEC respondeu à FENPROF em 8 de setembro, comunicando o arquivamento do pedido de ação inspetiva, por, alegadamente, considerar que não existem indícios de atos ilícitos por parte do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI). Uma decisão que a FENPROF não aceita, tendo insistido, em ofício de 18 de setembro, junto da IGEC para que reavaliasse as denúncias apresentadas e exortando a IGEC a «fiscalizar o cumprimento da lei».

» IGEC não pode fechar os olhos ao trabalho extraordinário dos professores classificadores

Em 24 de setembro, a FENPROF recorreu ao Provedor de Justiça, a quem entregou um pedido de emissão de recomendação ao MECI, visando a reapreciação do Despacho n.º 9472-B/2026 e a garantia do pagamento aos docentes das remunerações legalmente devidas pelo trabalho suplementar efetivamente realizado.

Nessa ocasião, o Secretário-geral Francisco Gonçalves garantiu que a FENPROF não vai deixar a situação do pagamento do trabalho suplementar realizado pelos professores classificadores e relatores dos exames finais nacionais do ensino secundário, no ano letivo 2025/2026, cair no esquecimento, nem prescindir da exigência do pagamento de todo o trabalho suplementar e do ressarcimento pelas férias não gozadas.

FENPROF entrega queixa na Provedoria de Justiça sobre pagamento do trabalho suplementar realizado pelos professores classificadores


Na sequência do recurso ao Provedor de Justiça, em 25 de setembro, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, declarou aos jornalistas que a FENPROF "fez tudo para que o processo [de classificação dos exames nacionais] corresse mal".

Na sequência das declarações proferidas pelo ministro Fernando Alexandre, o Secretariado Nacional da Federação entregou, em 9 de outubro, na Procuradoria-Geral da República (PGR), uma queixa-crime contra o ministro da Educação. O Secretário-geral Francisco Gonçalves esclareceu que esta é uma queixa-crime por ofensa a pessoa coletiva, em que a Federação contesta as acusações de Fernando Alexandre sobre exames nacionais e exige o apuramento dos factos, com o principal objetivo de repor o bom nome da FENPROF e dos docentes que representa.

FENPROF formaliza queixa-crime contra ministro da Educação na Procuradoria-Geral da República


A FENPROF não desiste da exigência de justiça e do pagamento da remuneração legalmente devida pela prestação de trabalho suplementar. Para esse efeito, disponibiliza duas minutas de reclamação: uma para os professores classificadores (descarregar aqui a versão word) e outra para os membros do secretariado de exames (descarregar aqui a versão word).