A FENPROF esteve representada na Cimeira Internacional sobre a Profissão Docente 2026 (ISTP 2026), realizada em Tallinn, na Estónia, entre os dias 8 e 11 de março, pela presidente do seu Conselho Nacional, Anabela Sotaia.
A edição deste ano teve como tema central “Mudar de rumo: Professores e Alunos no Ambiente de Aprendizagem do Futuro”, incidindo sobre os desafios atuais e futuros da profissão docente, bem como sobre as políticas necessárias para valorizar, apoiar e reforçar o papel dos professores nos sistemas educativos.
Grupo que participou numa visita a uma escola profissional
Apesar do muito limitado tempo para intervenção (1 minuto sobre cada um dos temas que lhe estavam destinados), a FENPROF deixou, num tom crítico, aquelas que são as suas posições em relação à valorização da profissão docente e ao processo negocial em curso sobre o ECD, bem como sobre a utilização do digital e da inteligência artificial no processo educativo.
A Cimeira organizou-se em torno de três subtemas principais, sobre os quais cada país foi chamado a refletir: “A Profissão Docente em Evolução; Autonomia dos Professores e Liderança Escolar; Inteligência Artificial e Tecnologia Educativa”.
No final dos trabalhos, as delegações de cada país foram convidadas a alcançar um acordo em torno de três compromissos nacionais, traduzindo orientações ou prioridades a assumir nas políticas públicas para a profissão docente, no quadro do tema central e dos subtemas da Cimeira. Para a FENPROF, independentemente da forma como os governos, depois, dão seguimento a estes compromissos, o texto a que se chegou implicará uma avaliação da ação do atual governo em relação ao que veio a comprometer-se nesta cimeira.
No caso de Portugal, foram definidos os seguintes compromissos:
- Valorização da carreira docente, no âmbito do diálogo social, assegurando, nas negociações em curso com as estruturas sindicais, o reconhecimento da especificidade e da centralidade da profissão docente no sistema educativo.
- Redução da carga burocrática associada à atividade docente, através da melhoria e simplificação dos processos administrativos, permitindo que os professores se concentrem plenamente na sua missão pedagógica.
- Reforço da capacitação dos docentes para a utilização do digital e da inteligência artificial nas práticas pedagógicas, promovendo uma utilização crítica, responsável e eficaz destas ferramentas, com vista à melhoria das aprendizagens dos alunos.
Intervenções realizadas por Anabela Sotaia, Presidente do Conselho Nacional da FENPROF
Sub-Tema 1: A profissão docente em evolução
A escassez de professores está a fragilizar os sistemas educativos — e Portugal não é exceção. Torna-se, por isso, essencial atrair novos profissionais para a docência, incentivar o regresso de professores que abandonaram a profissão e reter aqueles que atualmente se encontram no sistema. Tal exige que as negociações em curso para a revisão do Estatuto da Carreira Docente garantam salários justos, vínculos de emprego seguros, cargas de trabalho equilibradas, formação inicial e contínua de elevada qualidade, bem como o respeito pelo conhecimento pedagógico e pela autonomia profissional dos docentes.
A FENPROF apela, assim, ao Ministério da Educação para que implemente as recomendações do Painel de Alto Nível das Nações Unidas sobre a Profissão Docente, nomeadamente a criação de uma comissão nacional para enfrentar a escassez de professores. Manifestamos a nossa disponibilidade para contribuir para este trabalho. A hora de agir é agora.
Sub-Tema 3: Inteligência Artificial e tecnologia educativa
Independentemente da posição que possamos ter sobre a inteligência artificial, todos concordamos que ela veio para ficar e que moldará cada vez mais as nossas vidas, as nossas escolas e os nossos sistemas educativos. Por isso, é essencial que exista um quadro legal robusto para a IA, que garanta a segurança e o seu desenvolvimento ético.
Utilizada de forma crítica e responsável por professores e alunos, pode constituir uma ferramenta poderosa para apoiar a aprendizagem e melhorar os resultados educativos. Assim, é muito importante que os docentes recebam formação adequada, que lhes permita compreender tanto o potencial como os riscos da IA e aprender a utilizá-la. No entanto, é fundamental ter presente um ponto muito importante: a IA pode apoiar os professores — nunca substituí-los, especialmente num momento em que existe uma escassez tão significativa de docentes. A relação entre professor e aluno é única e insubstituível, porque se constrói com base na confiança, na empatia e na compreensão humana, e assim deve permanecer.
Por fim, enquanto cidadãos, e em particular enquanto professores e educadores, não devemos esquecer outra questão importante, raramente discutida, mas que deve merecer a nossa atenção: o impacto ambiental da IA — desde o elevado consumo de energia até à grande utilização de água e ao aumento das emissões de carbono.
O desafio que se coloca é, portanto, muito claro: garantir que a inteligência artificial serve a educação — e não o contrário — e que é utilizada de forma sensata, ética e sustentável.


