Mário Nogueira, representante da FENPROF no Conselho Nacional da Educação, publica um artigo de opinião no jornal Público onde questiona qual será a estratégia do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) para a anunciada fusão do 1.º e 2.º ciclos. Mário Nogueira levanta uma série de questões técnicas, educativas e pedagógicas, mas desde logo, «Como se compagina um ciclo de seis anos com a existência de exames nos 4.º e 6.º anos, como ameaçou o ministro há dias?».
«O ministro da Educação confirmou que os 1.º e 2.º ciclos do ensino básico serão fundidos. Desconhece-se como está a preparar a fusão, apenas se sabe que, já no próximo ano letivo, avançarão projetos-piloto. Com o intuito de ganhar adeptos, anunciou que os docentes do 1.º ciclo terão uma redução do horário letivo, a qual já deveria ter ocorrido há muito (como para os educadores de infância). Já agora, podia antecipar como será o calendário escolar. Qual irá prevalecer?
O secretismo que tem envolvido esta medida leva a que, mais do que apoios ou críticas, se façam perguntas. A primeira é se Fernando Alexandre leu a Recomendação n.º 7/2026, de 18 de junho, do Conselho Nacional de Educação (CNE), de título “Para um currículo dos primeiros seis anos de escolaridade”. Se leu e não parou a meio, não pode ignorar o seguinte parágrafo: “Este processo [a fusão dos ciclos] exige uma monitorização contínua e uma avaliação participada que envolva ativamente toda a comunidade educativa (escolas, docentes, alunos, famílias e autarquias) nas diferentes fases de conceção, acompanhamento e redefinição das medidas, garantindo que a evolução do sistema responde efetivamente às necessidades de desenvolvimento integral das crianças.”
Na fase em curso, a da conceção, qual está a ser a participação ativa da comunidade? Substituiu-a por um grupo de amigos ou decidiu trocar impressões com a IA?».
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