«Aula dada é, necessariamente, aula sumariada. Sempre foi assim. Não é a simples insinuação da dúvida, nem a proclamação solene da desconfiança, que altera um princípio básico da prática educativa. O sumário não é um exercício de imaginação nem um texto criativo: é a síntese do que foi efetivamente dito e ensinado, isto é, dos conteúdos lecionados.
Posto isto, seria interessante saber que sumário escreveria o ministro da Educação após uma reunião dita de negociação. Um sumário que incluísse, por exemplo, as reiteradas declarações sobre a urgência de valorizar os professores, mesmo quando essas palavras não encontram qualquer correspondência nas propostas apresentadas. Seria, no mínimo, um sumário muito original — rico em intenções, pobre em conteúdos.
Se tal incoerência ocorresse numa sala de aula, os alunos reagiriam com natural incredulidade. E com razão. Mais curioso ainda seria imaginar que o minsitro fosse depois avaliado pela fidelidade do sumário à aula dada, com repercussões diretas no seu salário. Nesse caso, dir-se-ia que a exigência de rigor é essencial… desde que aplicada apenas a alguns.»


