No encerramento do Encontro Nacional de dirigentes, delegados e ativistas sindicais que, esta tarde, reuniu no Grande Auditório do ISCTE, em Lisboa cerca de meio milhar de docentes, o Secretário-geral da FENPROF Francisco Gonçalves afirmou que, "apesar de serem medalhas para nós, as acusações do ministro da Educação não podem ficar sem resposta".
Para a FENPROF, Fernando Alexandre "está perdido no labirinto que ele próprio criou" e tenta, mais uma vez, transferir as suas responsabilidades para terceiros. Não foi a FENPROF que desmantelou a Administração Educativa e tomou as opções políticas que geraram todos os problemas verificados na classificação dos exames nacionais do ensino secundário no final do ano letivo 2025/2026. "A FENPROF, como é sua obrigação, foi a voz dos professores classificadores que desesperavam em frente ao computador", declarou Francisco Gonçalves.
As acusações do ministro da Educação acabaram por marcar o início dos trabalhos do Encontro de Quadros Sindicais da FENPROF, com o Secretário-geral José Feliciano Costa a lamentar, também, estas declarações, que só vêm confirmar a postura que Fernando Alexandre tem demonstrado no desempenho do cargo e na execução de um programa de governo neoliberal.
José Feliciano Costa assinala três eixos de ação deste governo, que parecem ter em vista a destruição da Escola Pública: o novo estatuto do Diretor, que é um atropelo à gestão democrática das escolas, a anunciada revisão da Lei de Bases do Sistema Educativo, cujos primeiros sinais são muito preocupantes, e a revisão do regime de Educação Inclusiva, que representa um retrocesso de décadas.
O Encontro Nacional de Quadros Sindicais, que serviu para analisar, denunciar e preparar a resposta dos professores e dos seus sindicatos às políticas que estão a degradar os serviços públicos, a desvalorizar os trabalhadores e a pôr em causa direitos fundamentais, foi um importante momento de reflexão, debate e preparação da ação reivindicativa para o novo ano de trabalho e de luta.
Num contexto político em que se confirmam a continuidade e o aprofundamento de opções reformistas que fragilizam as funções sociais do Estado, a FENPROF reafirma que não aceitará que sejam os trabalhadores a pagar o preço de políticas que não servem a Educação pública nem quem nela trabalha. A ofensiva sobre direitos e serviços públicos, designadamente na Educação, na Saúde e na Segurança Social, exige organização, mobilização e luta.
Ao longo da tarde, ouviram-se dezenas de intervenções sobre os principais temas de preocupação dos professores e educadores neste início de ano letivo. Foi aprovada uma moção que os presentes foram, em desfile, entregar à Presidência do Conselho de Ministros.


