Desde há muitos anos, a exigência de um estatuto de carreira para os professores visava, obviamente, não conferir-lhes superioridade em relação a outras profissões, mas sim reconhecer que o ato de ensinar possui especificidades muito próprias. Lidar com crianças, desde a mais tenra idade e até com adultos, exige formação especializada, e competências pedagógicas únicas.
Não reconhecer isto, como faz o atual governo — que parece completamente descontextualizado da realidade, como demonstram, infelizmente, recentes episódios de declarações, de omissões e de publicações em redes sociais é preocupante.
O ainda ministro da Educação, segue, como é evidente, o mesmo caminho: discursos laudatórios de grande intensidade, mas cuja prática e propostas ficam a léguas de distância da realidade. Trata-se de distração profunda, cegueira ideológica ou simples desconexão?
Seja como for, é a educação que paga o preço. Muitos dos milhares de jovens que frequentam o sistema educativo — e, inevitavelmente, o país como um todo — sentirão os efeitos desta desvalorização. A longo prazo, a ausência de reconhecimento concreto da carreira docente não apenas fragiliza a profissão, mas compromete a qualidade do ensino e o futuro do país.


