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O Povo saiu à rua

Contra o aumento do custo de vida, por mais salário, melhores pensões e serviços públicos de qualidade

18 de outubro, 2026

A convocatória da CGTP-IN para a Manifestação Nacional de 17 de outubro teve uma forte adesão dos professores. Em Coimbra, no Porto e em Lisboa, trabalhadores de todos os setores saíram à rua para afirmar o descontentamento perante o aumento do custo de vida, a perda de poder de compra e a degradação das condições de vida e de trabalho.

Também os professores marcaram presença, dando expressão a uma luta que é, simultaneamente, pela valorização do trabalho e pela defesa dos serviços públicos, entre os quais a Escola Pública. Salários dignos, melhores condições de trabalho e pensões justas são inseparáveis da exigência de uma Educação pública capaz de responder às necessidades dos alunos e das populações.

A jornada nacional juntou centenas de milhares de trabalhadores e demonstrou que existe uma forte disposição para continuar a lutar contra políticas que agravam desigualdades e transferem recursos públicos para interesses privados. Em Lisboa, a manifestação partiu do Cais do Sodré e terminou no Rossio, onde teve lugar a intervenção do secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira.

No final da manifestação, Tiago Oliveira deixou uma mensagem clara: “Estamos em luta”, sublinhando que os trabalhadores conhecem bem as dificuldades provocadas pelo aumento dos preços da habitação, dos combustíveis, da energia e dos bens essenciais. Criticou uma política que, perante estas dificuldades, continua a deixar os salários e as pensões aquém das necessidades, enquanto os grandes grupos económicos acumulam lucros.

“Como é possível viver com um ordenado de 1.000 euros” quando uma renda pode atingir 800 ou 900 euros?, questionou Tiago Oliveira, apontando a distância entre as condições de vida de quem trabalha e as opções de quem governa. Para o secretário-geral da CGTP-IN, a realidade demonstra que as decisões políticas não são neutras e que é necessário um rumo diferente, colocando os trabalhadores e a maioria da população no centro das opções políticas.

A intervenção deixou também um compromisso: intensificar a luta e a mobilização dos trabalhadores, exigindo aumentos significativos dos salários e das pensões, medidas para travar o aumento do custo de vida e o controlo dos preços dos bens e serviços essenciais, bem como a defesa e o reforço do SNS, da Escola Pública, da Segurança Social e da Habitação.

Para os professores, esta jornada constitui igualmente um sinal de que a luta pela valorização da profissão docente não está desligada da luta mais geral dos trabalhadores. A defesa da Escola Pública exige investimento, trabalhadores valorizados e condições para ensinar e aprender. E exige, sobretudo, uma política que coloque os direitos sociais e o bem-estar das populações acima dos interesses de quem continua a acumular riqueza.

A manifestação de 17 de outubro foi, assim, mais um momento de afirmação da força dos trabalhadores. E deixou uma certeza: a luta continua.

A CGTP-IN anunciou já uma nova jornada de mobilização para 24 de novembro, dia previsto para a votação final do Orçamento do Estado para 2027, reafirmando a determinação de prosseguir a luta por salários, direitos e serviços públicos.