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FENPROF
29 mai 2020 / 09:30

Um tempo para lembrar e nele aprender

Dois regressos, ainda este ano letivo: o Pré-Escolar (já antes as creches), ditado sobretudo pela necessidade de responder socialmente a famílias que têm absoluta necessidade de voltar ao trabalho; alguns anos do Secundário, tendo por objetivo principal, ainda que não confessado, a preparação para os exames.

Sobre a resposta a dar aos mais pequeninos (pelo motivo da abertura, as regras a observar, o horário a cumprir…), deveria avaliar-se se o que deveria organizar-se era a resposta educativa ou outra, predominantemente social, pois é disso que, verdadeiramente, se trata.

Já em relação aos alunos do secundário, não pode ser ignorado que as condições em que irão chegar aos exames, exclusivamente destinados a decidir o acesso ao ensino superior, serão muito desiguais. Com a aplicação das normas determinadas superiormente para a reabertura (parcial) em 18 de maio, temos alunos com: todas as aulas semanalmente previstas no currículo; uma redução de 40 a 50 % das aulas, devido à divisão das turmas; ensino a distância, por se encontrarem doentes ou integrarem grupo de risco; o ano letivo terminado se, com justificação dos pais, por falta de transporte ou outro motivo, não forem à escola. A todos se apresentará a mesma prova de exame e, ainda que possam optar por algumas perguntas e abdicar de outras, uns irão escolher as que dominam melhor e outros aquelas que correspondem a matéria dada. Todas estas diferenças cavarão mais fundo as desigualdades que resultam de fatores sociais e da falta de apoios que não puderam ser concretizados.

Perante este quadro, devemos pensar se, neste tempo de Covid-19, as opções estão a ser as adequadas, principalmente as que impõem que: a distância, com ausências e de forma tão desigual, sejam cumpridos os programas; se mantenha um exame com a importância que tem para futuro de cada jovem (o ensino superior não tem nada a dizer / fazer?); se realize uma dura e inflexível auditoria aos critérios de avaliação de cada escola que, se for destinada a uniformizar, face a tanta diversidade, acabará por, em nome da justiça, agravar as injustiças.

Este não é um tempo para esquecer. Correndo-se o risco de, no próximo ano letivo, voltarmos a ser confrontados com uma nova, quiçá, mais forte vaga infeciosa, este terá de ser um tempo para lembrar e aprender também com os erros para não os repetir.

São sempre os tempos mais negros que nos dão as principais lições de vida. Este veio confirmar que o papel da Escola Pública é imprescindível, não apenas porque alguns alunos precisam dela para almoçar, mas até por isso. Todos, porém, seja qual for a sua condição, precisam da escola para aprender, mas, acima de tudo, para se formarem como cidadãos de corpo inteiro. Em democracia, hoje ou no futuro, a cidadania plena não se constrói em casa a olhar para um écran.


 
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