CGTP  |  FRENTE COMUM  |  INTERNACIONAL EDUCAÇÃO  |  FMTC  |  CPLP-SE
 
 SPN  | SPRC  | SPGL  | SPZS  | SPRA  | SPM  | SPE  

FENPROF
16 mar 2021 / 17:08

Ultrapassados por insignificância política

No Editorial do Jornal da FENPROF (JF), enviado aos associados dos Sindicatos de Professores no início de março, o destaque é dado ao facto de os professores não terem sido incluídos em qualquer das prioridades de vacinação, acompanhando, como deveria acontecer, recomendações internacionais e decisões de outros países.

Alguns dias depois, porém, soube-se pela Ministra da Saúde que a vacinação dos profissionais e trabalhadores das escolas como grupos prioritários era uma possibilidade, tendo, posteriormente, a designada task force colocado docentes e não docentes na fase 1, devendo começar a ser vacinados no penúltimo fim de semana de março.

É uma boa notícia que, contudo, não retira verdade à afirmação que consta do já citado Editorial, antes releva a insignificância política dos responsáveis do Ministério da Educação dentro do Governo. Aquela afirmação resulta das respostas recebidas de responsáveis políticos do ME que, em reuniões realizadas em 7 de janeiro e 2 de fevereiro, p.p., confrontados com a proposta da FENPROF de inclusão dos professores na primeira fase de vacinação – fundamentada nas recomendações internacionais e nas razões das mesmas –, se limitaram a dizer que as prioridades não eram estabelecidas em função de grupos profissionais, pois, se assim fosse, outros haveria que se expõem mais do que os professores, dando alguns exemplos.

A FENPROF insistiu que, para além da proteção de profissionais e trabalhadores das escolas, porque estão muito expostos, dados os inúmeros contactos que estabelecem, era também necessário, através da vacinação, entre outras medidas, garantir que as escolas abririam e não voltariam a fechar por falta de prevenção, de segurança sanitária, de transparência e de vacinação. Em 15 de fevereiro, por ofício, a FENPROF apresentou formalmente, ao Ministro, da proposta de vacinação, mas o governante optou pelo silêncio.

Esta insistência da FENPROF manteve-se já depois do anúncio, por Marta Temido, da possibilidade de os professores serem vacinados, nesta altura já procurando que a probabilidade se efetivasse. Mesmo após a declaração da Ministra da Saúde, o ME nunca alterou o seu discurso, ficando a saber-se, apenas na segunda semana de março, que os professores integrariam a fase 1 de vacinação, conhecendo-se no dia de regresso aos jardins de infância e escolas do 1.º ciclo (15 de março), que, só no fim de semana seguinte, seriam vacinados cerca de 80 000 profissionais e trabalhadores.

Foi, entretanto, suspenso o início da vacinação, pois aos professores, como a muitos outros portugueses, estavam destinadas vacinas da AstraZeneca. Esperando-se o rápido desbloqueio da vacinação, não deixa de se assinalar, também nesta matéria, o pouco peso político do Ministério da Educação dentro do Governo. Poderá afirmar-se que não seriam os responsáveis do ME a tomar uma decisão destas, é verdade, mas deles esperava-se um acompanhamento próximo dos níveis de decisão e, desde o início do processo de vacinação em Portugal, uma posição firme de exigência. Se, em vez de arranjarem desculpas, tivessem sido exigentes não teriam sido, uma vez mais, ultrapassados.

Mário Nogueira


 
Imprimir Abrir como PDF

Partilhar:

|

Frentes e Sectores
Skip Navigation Links.

Voltar ao Topo