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FENPROF
09 nov 2010 / 17:25

Aminatou Haidar com professores portugueses

Intervindo no encontro com professores e educadores portugueses, realizado no dia 9 de Novembro, na cidade de Coimbra, Aminatou Haidar denunciou, uma vez mais, “a repressão feroz das forças militares e policiais marroquinas contra a população civil” saharaui. Aminatou referia-se ao ataque - uma "bárbara agressão" -  ao acampamento de Gdmeim Izik, nos arredores de El Aaiún, ocorrido na passada semana.

A sessão, organizada pela FENPROF e pelo SPRC, decorreu no auditório da Casa da Cultura e registou também a participação de elementos da Frente Polisário residentes no nosso país e da Associação Portugal-República Árabe Saharaui Democrática (RASD).
Presentes na Mesa, além de Aminatou Haidar, os dirigentes sindicais Mário Nogueira, Secretário Geral da FENPROF; Henrique Borges e Anabela Sotaia.

“Momento importante
para esta causa”

A combatente saharaui recebeu de manhã a Medalha da Universidade de Coimbra, em sessão que contou com a Presença do Magnífico Reitor, Professor Seabra Santos. Depois do encontro com os professores, seguiu para Lisboa a fim de participar na sessão da Assembleia Municipal.

Entretanto, na quarta-feira, dia 10 de Novembro, decorreu uma sessão pública, pelas 18H30, na Reitoria da Universidade de Lisboa, com a participação de Aminatou Haidar.

A sua deslocação ao nosso país transformou-se num “momento importante para esta causa”, como afirmou o Secretário Geral da FENPROF.

Solidariedade


No encontro da Casa da Cultura de Coimbra, Mário Nogueira recordou “a presença da Federação e de companheiros de outras organizações nos acampamentos saharauis” (2009) e também a campanha de solidariedade iniciada no 10º Congresso da Federação Nacional dos Professores.

O dirigente sindical sublinhou ainda a coragem e a determinação de Aminatou, que estve 32 dias em greve da fome, no aeroporto de Lanzarote, acção que acordou o mundo para o martírio que vive o povo da República Árabe Saharauí Democrática: exilado no deserto ou perseguido na sua própria terra.

A causa saharauí e o apoio a esta Mulher lutadora, recorde-se, mereceu a solidariedade activa do Nobel da Literatura português, José Saramago.
“A situação que se vive nos territórios saharauis ocupados pelas forças marroquinas é alarmante”, salientou Aminatou, que denunciou a política de extermínio que o Reino de Marrocos definiu para os saharauis, perante a hesitação e o silêncio cúmplice de muitos...

O ataque ao Acampamento
de El Aaiún


Exemplo dessa postura marroquina é o que está a acontecer no acampamento de El Aaiún.
“Há tendas a arder e vozes que pedem através de megafones para que as mulheres e as crianças abandonem o local” descrevia o “El País”.

Segundo contaram sarauís aos jornalistas do “El País” e do “El Mundo”, o Exército entrou às 6h00 no recinto e começou a lançar gás lacrimogéneo, a incendiar tendas e a forçar pessoas a sair.
“Atacaram-nos de madrugada. Não pudemos fazer nada. Perdemos a batalha”, disse ao “El Mundo” Sidi, um sarauí que estava no acampamento desde o segundo dia.

Um repórter da agência AFP diz ter visto vários feridos e ambulâncias que se dirigiam a El Aaiún. Segundo esta agência, as forças marroquinas usaram canhões de água contra os habitantes do acampamento.
“Cremos que já há bastantes feridos, várias ambulâncias saíram do acampamento com sarauís e outros fugiram por estrada”, disseram outros sarauís ao "El Mundo". As ruas de El Aaiún “estão tomadas”, disse por seu turno Hassana Duihi, do Comité de Presos Sarauís.

Como revelou Aminatou Haidar, este acampamento, que tinha já mais de sete mil haimas (tendas), nasceu há quatro semanas a 15 quilómetros da capital sarauí (ocupada), El Aaiún. Foi montado por habitantes do Sara Ocidental que reivindicam melhores condições de vida, nomeadamente empregos e habitações.

No passado domingo, as forças de segurança marroquinas bloquearam o acesso ao campo e, em protesto, jovens e adolescentes sarauís ergueram barricadas e queimaram pneus no centro de El Aaiún. As forças anti-motim desmantelaram as barricadas e seguiu-se uma hora de confrontos. Para além do bloqueio ao campo, foi cortada a rede de telemóveis, o que levou os activistas a acreditarem que o assalto ao acampamento estava iminente.

A activista Aminatou Haidar tinha avisado nos últimos dias para a possibilidade de uma invasão à força deste campo, pedindo protecção para as pessoas que lá se encontravam. Haidar chegou ontem a Portugal e aqui ficará até quarta-feira, pretendendo agradecer aos activistas da causa sarauí que em Dezembro no ano passado se mobilizaram em torno da sua greve de fome em Lanzarote.

O Sara Ocidental foi ocupado por Marrocos em 1975 e os sarauís lutam desde essa data pela autodeterminação. A região aguarda um referendo desde que a ONU criou uma missão para o realizar, em 1991.

CGTP-IN condena
ataque marroquino


“As forças de ocupação marroquinas atacaram  brutalmente, com o massivo uso de forças militares, o acampamento onde, há vários dias, mais de 20.000 cidadãos sarauís se reuniam para protestar contra a ocupação marroquina, a sistemática violação de direitos humanos e para exigir o fim da repressão das forças ocupantes e a aceitação, por parte do Reino de Marrocos, de um referendo de autodeterminação, de acordo com as resoluções das Nações Unidas”, sublinha uma recente nota de imprensa da CGTP-IN.

Há notícias, aliás confirmadas por Aminatou em Coimbra, que apontam para muitos mortos e feridos, de entre eles vários idosos, mulheres e crianças. Para além das mortes e dos ferimentos provocados, as forças armadas de Marrocos, queimaram as tendas e lançaram mesmo gás lacrimogéneo e água quente a partir de helicópteros sobre a população indefesa.

A CGTP-IN manifesta a sua mais veemente condenação destes brutais actos do Governo marroquino que violam a legalidade internacional, as resoluções da ONU e o próprio cessar-fogo assinado em 1991 por Marrocos e pela Frente Polisário, e exige o fim imediato desta vil e inadmissível intervenção marroquina.

Portugal, a União Europeia e a ONU
não podem ficar calados


A Central exige que o Governo português condene de forma inequívoca esta actuação e que a União Europeia sancione o Governo de Marrocos, designadamente através da suspensão imediata do Acordo de Associação UE/Marrocos.

A Inter exige ainda a urgente intervenção da Missão das Nações Unidas no Sara Ocidental (MINURSO), de forma a pôr termo à brutal intervenção marroquina e a garantir a segurança e os direitos do povo sarauí.

Finalmente, a CGTP-IN apela aos trabalhadores e à população em geral para que participem em acções de protesto e de solidariedade para com a justa luta dos trabalhadores e do povo sarauí. / JPO


 
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