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FENPROF
10 set 2009 / 15:48

Políticas educativas dos últimos governos não resolveram os problemas, o que torna ainda mais importante o futuro!

O relatório da OCDE sobre Educação reflecte, de uma forma geral, a situação portuguesa, apesar de, em relação a alguns aspectos, o Ministério da Educação pretender aligeirar os resultados. Já agora, convém acrescentar, resultados que confirmam o fracasso das políticas educativas de sucessivos governos que não conseguiram dar a resposta adequada aos principais problemas que vêm afectando o nosso sistema educativo.

Dado relevante é o que continua a colocar o nosso país na cauda da OCDE no que respeita às taxas de insucesso e abandono escolares. A tal, não será alheio o facto de o Estado Português continuar a ser dos que menos investem nos alunos, mas, também, a dificuldade de encontrar saídas profissionais adequadas, mesmo para a maioria dos que concluem cursos de ensino superior. Para essa elevadíssima taxa de licenciados desempregados continua a contribuir, significativamente, o desemprego que atinge o sector dos professores.

O peso do privado

Constatação que pode parecer surpreendente é a que confirma que, na Educação, em Portugal, o sector privado tem um peso acima da média da OCDE em todos os sectores e níveis de ensino. Todavia, este é um dado que só surpreende quem não se apercebeu que, nos últimos anos, o sector privado foi beneficiado em relação ao público, designadamente ao nível do financiamento através do Orçamento de Estado, o que permitiu a sua expansão. Pode, assim, inferir-se que a aposta em reforçar o privado parece ser um caminho errado se tivermos em vista a necessidade de dar resposta aos problemas que afectam o sistema educativo. Como a FENPROF sempre afirmou, essa aposta ganhar-se-á se, pelo contrário, o investimento se orientar para a melhoria das respostas educativas prestadas pela Escola Pública.

Relativamente aos professores, há que destacar alguns aspectos e esclarecer outros. Em primeiro lugar, é necessário assinalar que, como a FENPROF sempre afirmou, os professores portugueses são dos que mais horas passam a trabalhar nas escolas.

Outro aspecto a clarificar é o da relação professor/alunos. Sendo essa relação das mais baixas dentro da OCDE, tal não significa que as turmas tenham menor dimensão. Para aquela média (que disfarça o número máximo de alunos, legalmente estabelecido, e que se verifica na maior dos casos) contribuem todos os professores sem serviço lectivo atribuído, bem como os que se encontram em funções de interesse público fora da sua escola, incluindo os que exercem funções na própria administração educativa ou em cargos políticos de diversa natureza.

Já em relação aos salários dos docentes, nomeadamente dos que se encontram no topo da carreira, também o dado tem sido utilizado de forma demagógica por parte dos responsáveis do Ministério da Educação. Em primeiro lugar, há que esclarecer que as comparações são feitas tendo por referência o PIB e não o custo de vida nos países, o que desde logo distorce a realidade; depois, é preciso dizer que para atingir o patamar máximo da carreira docente, os professores, em Portugal, demoram bastante mais tempo do que, em média, nos países da OCDE; também é muito importante recordar que o leque salarial dos docentes portugueses é dos mais amplos, razão por que, ao longo de toda a sua vida profissional, estes sejam remunerados abaixo do que acontece na generalidade dos países da OCDE, como se confirma pela comparação dos salários em fase intermédia da carreira; por fim, porque a carga fiscal é muito pesada em Portugal, o que leva a que o salário líquido dos docentes seja reduzido em cerca de 1/3 precisamente nos escalões de topo.

Quanto à poupança que foi conseguida na Educação com os salários dos professores, registe-se que tal se deveu a medidas impostas que visaram, apenas, desvalorizar as carreiras e as condições de exercício da profissão docente. A saber: congelamento de 2,5 anos de tempo de serviço; aumento da permanência nos diversos escalões; divisão da carreira impedindo o acesso ao topo a milhares de docentes; aumento da precariedade e da contratação para responder a necessidades permanentes das escolas.

Investimento

Uma nota final para o financiamento global da Educação. O relatório revela que entre 1995 e 2006 a despesa neste sector aumentou de 5% para 5.6%, mantendo-se, contudo, abaixo da média da OCDE. Face aos atrasos estruturais que o nosso país apresenta também neste domínio, seria necessário um investimento bastante maior, recordando-se que, em anos intermédios a estas duas referências, chegou a ultrapassar os 6%, ou seja, houve um decréscimo em relação a anos anteriores. Assinale-se que diversos especialistas em Educação têm considerado que seria necessário que este valor atingisse os 7% do PIB.

Próximos que estamos das eleições legislativas, e dada a grande importância que estas terão para o futuro do nosso país, impõe-se que, perante estes dados que reflectem a realidade do país, o próximo Governo assuma a Educação como uma prioridade em que urge investir. A FENPROF empenhar-se-á na apresentação de propostas que contribuam para aquele objectivo.

O Secretariado Nacional da FENPROF
10/09/20009


 
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