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FENPROF
08 jun 2017 / 10:07

A Luta dos Professores

A greve dos professores convocada para 21 de junho segue-se a um conjunto de outras iniciativas, as últimas das quais um Cordão Humano que ligou o ME a São Bento e uma concentração para entrega de milhares de postais de docentes reclamando medidas contra o desgaste que hoje afeta a profissão. Esta greve acontece após 8 meses de tentativas vãs junto do Governo para que solucionasse problemas que afetam negativamente o desempenho dos professores. Até agora, os governantes não demonstraram disponibilidade para negociar soluções.

Falamos de problemas que, direta ou indiretamente, afetam os alunos, tais como:

  • Horários de trabalho que deverão ser reorganizados, sob pena de os professores, com a sobrecarga burocrática e um conjunto de outras tarefas a que estão obrigados, não poderem dar o seu melhor no que é essencial: o trabalho com os alunos. Os professores estão a trabalhar, em média, mais de 46 horas semanais, chegando muitas vezes à sala de aula já com várias horas de atividade burocrática em cima e um conjunto de reuniões que, na véspera, se arrastaram até tarde.
  • Desgaste dos profissionais decorrente do que antes se refere, mas também do envelhecimento da profissão, problema contra o qual nada tem sido feito, apesar de se reconhecerem os efeitos negativos na atividade docente. A FENPROF propõe um regime especial de aposentação para profissionais que estão obrigados a trabalhar, muitos, acima de 45 anos, sob pena de sofrerem penalizações fortíssimas. Ora, ninguém contesta que a escola precisa, urgentemente, de uma forte renovação geracional.
  • Precariedade, que afeta mais de 20% dos professores, bem acima da média nacional. O processo de vinculação extraordinária que decorre, deixa de fora mais de 80% dos que têm vínculos precários, alguns há mais de 10 ou 20 anos. Obviamente que essa instabilidade se reflete no desempenho profissional dos docentes, em particular em momentos que são mais exigentes, como o final de cada ano letivo, período em que o professor está a terminar o contrato, desconhecendo o que lhe reserva o futuro próximo;
  • Desvalorização material da profissão, nomeadamente devido ao congelamento das carreiras nos últimos 7 anos, sem progressões, sem atualizações, com cortes, com uma elevada carga fiscal e sem valorização e reconhecimento da atividade docente. Uma profissão que não é valorizada, não é atrativa, logo, deixa de chamar a si os melhores profissionais.


Portanto, contrariamente ao que se tem ouvido,
o que, verdadeiramente, prejudica os alunos não é a realização de um dia de greve pelos professores, mas sim a não resolução dos problemas que levaram os professores a convocar esta greve. O facto de a greve coincidir com alguns exames de 11.º ano não foi a razão da sua convocação. O dia 21 foi aquele em que, havendo reunião com o Ministro em 6 de junho, a greve poderia ser marcada, atendendo aos prazos legais que vigoram. Como se compreende, seria incorreto convocar a greve em data anterior à realização da reunião, desconhecendo o que dela resultaria.

Porém, como a FENPROF tem afirmado, a greve só se consumará se, até 21, o Governo não der resposta aos problemas, admitindo que alguns terão ainda de passar por processos negociais a desenvolver posteriormente. Afirmou o Ministro, ontem, em entrevista, que tudo fará para que o dia 21 seja um dia de trabalho normal nas escolas. Senhor Ministro, a FENPROF está disponível para trabalhar nesse sentido. E para lutar também.


Mário Nogueira
Secretário-Geral da FENPROF 


 
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