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FENPROF
18 jun 2016 / 17:48

Jornada histórica em Lisboa: 80 000 pessoas uniram vozes na Marcha em defesa da Escola Pública

Defender o que é nosso: a Escola Pública!              Apontamentos de uma Marcha memorável

 Imagens da Marcha (Jorge Caria)

 Reportagem fotográfica de Henrique Borges: Parte 1 | Parte 2 | Parte 3

 Reportagem fotográfica de Felizarda Barradas |  Reportagem fotográfica de Diogo Lobo

 Reportagem fotográfica de Manuel Nobre

 Intervenções de Mário Nogueira

 Outras intervenções (Helena Roseta, Ana Souto, Isidoro Roque, César Israel Paulo, Miguel Mestre, Cláudio Fonseca , Diogo Mendes, Arménio Carlos, Ana Sesudo, Ana Benavente) 

Mais de 80 000 pessoas, oriundas de todas as regiões do país, uniram vozes naquela que foi a maior iniciativa até hoje realizada em defesa da escola pública portuguesa. O desfile entre o Marquês de Pombal e o Largo do Rossio durou três horas. / JPO 


Durante a manhã

Começam a chegar a Lisboa participantes na Marcha oriundos de todos os distritos do continente. A comunicação social cita declarações de Mário Nogueira à Lusa, em que o Secretário Geral da FENPROF reafirma: “É uma marcha da diversidade. Não é uma marcha de uma cor só, é uma marcha de todas as cores, é uma marcha da diversidade e da democracia e, quando assim é, acho que vai ser uma festa em torno da escola pública, que bem merece que as pessoas a saúdem e que a defendam”.

12h12
Chega a Santa Apolónia o comboio nº 1/SPN, que partiu de Braga, com paragens no Porto, Gaia, Espinho e Lisboa. Do Porto saíram outros comboios com participantes na Marcha. O Norte está em força na capital.

Ao fim da manhã
Centenas de autocarros, oriundos de todas as regiões, já estão estacionados em locais estratégicos da cidade de Lisboa. Muitos dos viajantes são deixados na zona do Marquês de Pombal. Confirmam-se as previsões metereológicas: o sol aquece Lisboa. 

13h00
Mário Nogueira e outros elementos da organização estão disponíveis para declarações à imprensa no Parque Eduardo VII, junto à tribuna da Marcha.

14h30
A zona do Marquês de Pombal regista já uma excelente moldura humana. Há quem procure as (poucas) sombras enquanto a iniciativa não arranca. As carruagens do Metro (particularmente a linha amarela) estão a chegar repletas ao Marquês.

14h35
Ôs primeiros panos de maiores dimensões começam a surgir na rotunda do Marquês. Muitos professores, de todo o país, estão presentes, assim como membros de estruturas associativas e sindicais de vários setores. O Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes é uma das organizações sindicais representadas no desfile.

14h45
Continuam a chegar autocarros à zona do Marquês, que assim se "juntam" à frota das viaturas de turismo muito procuradas pelos estrangeiros nesta altura do ano. Junto à tribuna e no desfile encontram-se alguns dos subscritores (por exemplo: António Teodoro, docente universitário, ex-Secretário Geral da FENPROF;  Daniel Oliveira, jornalista; Santana Castilho, docente universitário) que lançaram a Petição em defesa da Escola Pública entregue na Assembleia da República e no Ministério da Educação.

15h00
O Marquês de Pombal apresenta já uma multidão, que grita palavras de ordem como "Escola Pública, sim! Privatização, Não!"
ou "" Educação é um direito não é um negócio".
Chega um grupo de bombos de Lamego e com eles mais animação e ritmo. Várias Uniões Sindicais (estruturas da CGTP-IN) assinalam a sua presença solidária nesta Marcha.

15h02
Da tribuna da Marcha, Mário Nogueira dirige uma breve saudação aos participantes, apresentando os oradores já presentes na tribuna. O Secretário Geral da FENPROF reafirma que esta Marcha não é contra ninguém, mas pela escola pública, democrática e de qualidade, para todos. "É uma afirmação clara de milhares de cidadãos, por uma escola que tem sido mal tratada", lembrando especialmente a ofensiva desenvolvida ao longo de quatro anos pelo Executivo PSD/CDS. 
Esta é uma Marcha de afirmação e exigência. Afirmação de apoio e em defesa da Escola Pública de qualidade, em que diversidade de oferta e inclusão são, entre outros, princípios basilares; exigência de financiamento adequado da Escola Pública para que ela possa cumprir o importantíssimo papel que a Constituição da República lhe atribui e a sociedade portuguesa lhe reconhece, como destacou Mário Nogueira.
Ao tão amplo consenso que está criado em torno da Escola Pública não é alheio o facto de esta, nos últimos tempos, ter sido injustamente acusada de ter qualidade inferior ou custo elevado, acusações que são falsas e extremamente injustas para os seus profissionais.
A este propósito, o dirigente sindical recorda que já em 2012 o Tribunal de Contas, quando considerou que deveria reequacionar-se a manutenção dos contratos de associação, alertava para o facto de o custo por aluno nas escolas públicas aumentar devido ao subaproveitamento da rede, problema que é de resolução simples, bastando que se aproveite essa mesma rede, sendo eliminadas as situações de contratualização com privados que implicam duplicação da despesa. E a propósito de custos, esclarece:
"O Orçamento do Estado, entre 2001 e 2016, financiou em 4.464,4 milhões de euros o ensino privado".
A Escola Pública em Portugal, comenta Mário Nogueira, foi aquela que formou a geração mais qualificada do país que, infelizmente, devido às medidas de austeridade impostas foi obrigada a emigrar em grande número. 

15h10
Começam as intervenções da Marcha: Diogo Teixeira Mendes, Presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Lima de Freitas (Setúbal); Helena Roseta, Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa; Isidoro Roque, da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (FERLAP); Ana Sesudo, Presidente da Associação Portuguesa de Deficientes (APD); Ana Benavente, docente e investigadora; e Arménio Carlos, Secretário Geral da CGTP-IN.

  • Diogo Mendes realça a importância de uma escola pública aberta a todos, sem preconceitos ou discriminações. "A nossa escola pública pode não ensinar equitação, mas desenvolve projetos que forma os alunos e os prepara para o futuro", sublinhou o jovem de Setúbal, que chama a atenção para a necessidade de investir na escola pública. "Não fomos pressionados para estar aqui nesta Marcha", refere o dirigente associativo.
     
  • "Todas as pessoas de boa fé estão com a escola pública", destaca Helena Roseta, que comenta mais adiante, a propósito da Constituição da República (que "está viva e de boa saúde"): "Está lá escrito que temos um Estado de Direito, não um Estado de direita"... "Porque é que o nosso dinheiro tem que financiar alguns colégios, em vez de se investir na rede pública que é para todos?", interroga a Presidente da AM de Lisboa. "Queremos uma escola pública excelente", destaca Helena Roseta.
     
  • "A escola pública é a única que garante qualidade, universalidade e gratuitidade", sublinhou Isidoro Roque. O responsável da FERLAP (federação que representa cerca de 50 por cento do universo das associações de pais e encarregados de educação do país) destaca noutra passagem que "a escola pública é um investimento no futuro", lembrando, a propósito, as políticas de educação nos países mais desenvolvidos. "Nunca desistiremos da escola pública", conclui.
     
  • Ana Sesudo lembra que a escola pública "é uma escola sem interesses escondidos", lembrou o 25 de Abril e o "abrir de portas a direitos fundamentais como o da educação". "Fiz a minha escolaridade no ensino público, no Baixo Alentejo, onde, apesar das dificuldades, me asseguraram uma educação de grande qualidade, com professores empenhados", recorda a dirigente da APD. A mais qualificada resposta em termos de inclusão vem da escola pública, sublinhou Ana Sesudo, que aponta números bem expressivos: 87 por cento dos alunos com necessidades educativas especiais (mais de 68 000) estão no ensino público.
     
  • "Sem educação não há desenvolvimento", reafirma Ana Benavente. A verdadeira democracia, salientou noutra passagem, implica  "afirmar a educação para todos". O privado é complementar. Não tem que ser pago por todos, lembra a docente universitária, que alerta contra os "crimes" que se praticam contra a escola pública, onde situações como a gestão não democrática, os mega-agrupamentos, as condições de trabalho e a avaliação das aprendizagens exigem respostas dinâmicas e coerentes. "Com desconfianças em relação aos professores não se constrói a qualidade da escola", observa Ana Benavente, que deixa um apelo nesta grande Marcha: "Trabalhem sobre Educação", que "é uma área fundamental da sociedade".
     
  • As lutas do movimento sindical unitário pela valorização das funções sociais do Estado estiveram presentes na intervenção de Arménio Carlos. "PSD e CDS não vêm com bons olhos esta manifestação. E nós percebemos. Esta é uma manifestação por uma escola pública que aposte na coesão social". "Estão aí novas ameaças... Falam de sanções. Então, temos que ser sancionados pelas políticas de cortes salariais, de aumento do desemprego e empobrecimento? Temos é que ser indemnizados!". "Não precisamos de mais austeridade. Precisamos, isso sim, é de mais desenvolvimento", acrescentou o dirigente sindical. Enquanto fator de promoção da igualdade de oportunidades e também espaço de inclusão, a Escola Pública é a escola de todas as cores, de todas as crianças e todos os jovens, a escola que contribui para que, nas sociedades, se consolide a democracia também nos planos económico, social e cultural, destaca ainda Arménio Carlos.

15h56
Termina o período de intervenções no Marquês de Pombal. Já se fala de "dezenas de milhar de participantes". Ao Marquês de Pombal e às ruas envolventes continuam a chegar mais pessoas. Nos placards eletrónicos na Avenida da Liberdade os termómetros apontam 31 graus. Em vários cartazes e panos, destacam-se preocupações como as relacionadas com o amianto em instalações escolares e com a situação no ensino superior (fundações e propinas).

16h01
Arranca a Marcha em defesa da Escola Pública, tendo como ponto de chegada o Largo do Rossio. Na cabeça da manifestação seguem elementos do primeiro grupo de subscritores que lançaram a Petição apoiada por mais de 71 000 cidadãos até ao momento da sua entrega no Parlamento e no ME e representantes das entidades que co-promovem esta Marcha.
"Unir vozes em defesa da escola pública"
é a inscrição em destaque no pano de abertura. Muitos jovens marcam presença saliente no desfile. A luta contra a precariedade é registada no pano do Sindicato Nacional dos Psicólogos. Outro pano assinala a presença de cidadãos de Portalegre, outro reivindica uma escola secundária para a localidade de Vialonga (concelho de Vila Franca de Xira). e outro ainda lembra que em Palmela a Secundária espera há mais de 20 anos pelo pavilhão desportivo. O Algarve também está representado. E também Braga, Coimbra e Loures, por exemplo. Assim como o MDM. Sem esquecer inúmeras escolas de diferentes regiões do país, incluindo a Secundária Camões, de Lisboa ou o Agrupamento de Escolas "A Lã e a Neve", da Covilhã ou ainda a Secundária da Quinta do Conde.

16h43
A cabeça do desfile atinge os Restauradores. A escassos metros, já na ponta final da Avenida da Liberdade, Júlia Vale, do Secretariado Nacional da FENPROF, de microfone em punho, faz o ponto de situação da Marcha, incentiva palavras de ordem ("Melhor escola pública, mais justiça social" ou "Hoje e sempre a escola pública está presente") e continua a mobilizar pessoas: "Deixa os passeios, junta-te à Marcha". "Paz e Educação pela Escola Pública" - lê-se no pano do CPPC.

16h54
A cabeça da Marcha entra, finalmente, no Largo do Rossio. Na tribuna ali improvisada, Luis Lobo, do Secretariado Nacional da FENPROF, recorda os objetivos da iniciativa e lembra que "neste momento ainda temos muitas pessoas no Marquês de Pombal". "Escola pública é de todos, a privada é só de alguns", "A educação é um direito, sem ela nada feito"  "Duplicar o financiamento é esbanjar o orçamento" e "Dinheiro do Estado não pode ir para o privado", são palavras de ordem que se continuam a ouvir na ponta final da Marcha. Várias Associações de Pais e Encarregados de Educação marcam presença saliente no desfile (Bombarral e Seixal são dois exemplos). Destaque também para o pano em que se exige "um por cento do Orçamento para a Cultura".

17h00
Luis Lobo dá a palavra a representantes do Movimento Democrático de Mulheres (MDM), Associação de Estudantes da Escola Secundária Santa Maria, de Sintra, e Associação Nacional de Professores Contratados, que dirigem breves saudações. Continuam a chegar manifestantes ao Rossio. Aplausos para os estudantes da Moita e para um grupo de cidadãos de Almada que exigem mais apoios para a rede pública de jardins de infância.

17h10
São referidas várias mensagens de solidariedade e apoio à Marcha, nomeadamente da Confederação Intersindical Galega (CIG/Ensino). O Movimento em Defesa da Escola Pública também apresenta sua saudação aos participantes na iniciativa.

17h15
Continuam a chegar manifestantes ao Rossio, entre eles um grupo de cidadãos de Guimarães e professores da região centro.

17h20
Mário Nogueira faz um primeiro balanço da Marcha, considerando-a "a maior manifestação de sempre (realizada especificamente) em defesa da escola pública", com mais de 80 000 participantes. "Esta é uma resposta muito importante", sublinha o Secretário Geral da FENPROF.

17h30
Continuam a chegar manifestantes. "Esta Marcha é mesmo extraordinária", exclama Luis Lobo, no momento em que os participantes do Norte ainda estão na Avenida da Liberdade...

17h39
Entram no Rossio os últimos manifestantes. Uma das palavras de ordem mais ouvidas no Marquês de Pombal e durante o desfile volta a destacar-se nos momentos finais da jornada, no Rossio: "A Escola Pública é de todos!". / JPO

 

 


 
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