CGTP  |  FRENTE COMUM  |  INTERNACIONAL EDUCAÇÃO  |  FMTC  |  CPLP-SE
 
 SPN  | SPRC  | SPGL  | SPZS  | SPRA  | SPM  | SPE  

FENPROF
31 mar 2007 / 00:00

A "Nação mais esquecida de África" à beira de um desastre humanitário

Genebra - Dakar, 2 de Fevereiro de 2007 - A República Centro-Africana (CAR), frequentemente considerada "a nação mais esquecida de África," está à beira de uma crise humanitária generalizada pois o conflito armado, que dura há uma década, ameaça estender-se a todo o país. Centenas de milhares de pessoas, sobretudo das áreas rurais, estão a fugir à violência, abandonando as suas casas. Esta situação está também a comprometer significativamente as colheitas.

Estima-se actualmente que mais de um milhão de pessoas - ou um quarto da população total, incluindo cerca de 600.000 crianças menores de cinco anos, estão altamente vulneráveis às doenças, má nutrição e insegurança. Os dados oficiais apontam para um número de deslocados na ordem dos 200,000.

As populações locais continuam a ser vítimas de violações generalizadas dos direitos humanos levadas a cabo por forças militares e grupos armados. Saques de aldeias, deslocações forçadas, rapto de crianças, recrutamento, abuso e violência sexual sobre crianças tornaram-se num lugar-comum. O assédio e chacina de populações civis ocorrem com impunidade em muitas localidades de difícil acesso por todo o país. O banditismo e os combates recomeçaram.

O Representante da UNICEF, Mahimbo Mdoe, viajou esta semana a Paoua, uma localidade no centro da região mais duramente atingida no Noroeste do país e observou a luta pela sobrevivência das pessoas que abandonaram as suas aldeias depois de estas terem sido atacadas e incendiadas.

"Deslocámo-nos até aos escombros das casas onde as cinzas ainda estavam quentes na sequência dos ataques. As pessoas fugiram para se esconderem nas florestas, estando a maior parte delas demasiado assustadas para conseguirem aparecer e falar connosco. É urgente levar-lhes ajuda, pois estas pessoas ficaram traumatizadas e foram despojadas dos seus bens," afirmou.

A República Centro-Africana sofre de pobreza extrema, e os indicadores relativos à infância reflectem essa realidade: mais de uma em cada cinco crianças não sobrevive até ao seu quinto aniversário, dado que a taxa de mortalidade dos menores de cinco anos aumentou de 157/1000 mortes em 1995 para 220/1000 em 2003.

Do mesmo modo, a mortalidade materna aumentou de 683 mortes por 100.000 nados-vivos em 1988 para 1355/100.000 em 2003. A cada seis minutos, uma mulher morre de causas relacionadas com o parto. A má nutrição crónica situa-se nos 32% e 71% das pessoas vive abaixo do limiar de pobreza.

O Estado não consegue policiar efectivamente o território, uma enorme massa de terra onde a população está disseminada. O sistema judicial é inexistente e a aplicação da lei depende muitas vezes das forças militares.

Antes do conflito, as instalações escolares já eram escassas. Hoje, estima-se que um terço dos edifícios das escolas existentes está destruído. A maior parte dos professores fugiu. Uma missão recente das Nações Unidas o Leste do país refere que as crianças não têm ido à escola nos últimos cinco anos.

O país detém a mais elevada taxa de prevalência de infecção por VIH na África Central e Ocidental (15 por cento) e 140.000 crianças ficaram órfãs devido à SIDA, das quais 24.000 vivem com o VIH. Mais de 6.000 crianças estão a viver nas ruas, metade das quais na capital, Bangui.

A insegurança prevalecente e a falta de acesso às populações afectadas são os principais problemas para a UNICEF e outras agências das Nações Unidas e parceiros. Não obstante, no ano passado, a UNICEF, entre outras actividades que salvam vidas, conseguiu imunizar cerca de 90% da população infantil menor de cinco anos. Juntamente com uma ONG francesa, a UNICEF está a apoiar quatro centros de alimentação terapêutica e dez centros de suplementação alimentar.

No dia 29 de Janeiro, a UNICEF lançou um apelo no valor de 13.2 milhões de USD para poder prestar a assistência de emergência no campo da protecção, educação, água e saneamento, e saúde, com particular enfoque nos programas de imunização no âmbito de um pacote de intervenções para a sobrevivência infantil que será posta em prática ao nível da comunidade. Se não for prestada uma ajuda adicional quanto antes, as crianças tornar-se-ão nas principais vítimas desta situação tão pouco conhecida e que está a deteriorar-se rapidamente.

"Estamos extremamente preocupados por o que está a acontecer na República Centro-Africana, especialmente porque se trata de uma emergência esquecida. Ninguém quer saber destas crianças que são vítimas de violência, sofrem de má nutrição ou doenças nestas áreas inseguras. O mandato da UNICEF consiste em chamar a atenção da comunidade internacional para esta situação e esperamos que a nossa missão em Fevereiro na República Centro-Africana com a nossa Embaixadora de Boa Vontade Mia Farrow possa ajudar-nos nesse sentido, afirmou Esther Guluma, Directora Regional da UNICEF, nas declarações que prestou em Dakar.

Para mais informações, contactar:
Damien Personnaz, UNICEF Media, Geneva, +41 22 909 5716, dpersonnaz@unicef.org
Chantal Lorho, UNICEF Media, Senegal, : + 221 869- 5858, clorho@unicef.org
Helena de Gubernatis, Comité Português para a UNICEF, tel : 21 317 75 13/00, hgubernatis@unicef.pt

 


 
Imprimir Abrir como PDF

Partilhar:

|

Frentes e Sectores
Skip Navigation Links.

Voltar ao Topo