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 Sindicato dos Professores no Estrangeiro
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13 out 2010 / 15:29

"Falta de professores atrasa ensino de português no estrangeiro"

Os filhos dos emigrantes portugueses em muitos países europeus começaram o ano lectivo sem aulas de língua portuguesa por falta de professores. O problema assume contornos mais graves na África do Sul, onde a maior parte dos horários continua por preencher, alerta o sindicato.

O Instituto Camões, que assumiu a tutela do ensino de português no estrangeiro este ano admite o problema, mas continua à espera de uma portaria para abrir concursos a nível local, que está desde Agosto retida no Ministério das Finanças.

A instituição anunciou no final de Setembro que ainda havia dez horários completos por preencher na África do Sul, quatro na Alemanha - onde o ano lectivo começou no início de Agosto -, dois na Holanda e na Suíça, um na Namíbia e outro na Suazilândia, entre outros. Mas só os de Espanha e França foram preenchidos.

Para o secretário-geral do Sindicato dos Professores no Estrangeiro (SPE), Carlos Pato, uma vez que não houve candidatos suficientes no concurso inicial, a solução está em abrir concursos locais. Mas a portaria que os sindicatos negociaram em Agosto, que permitirá fazê-lo, está retida no Ministério das Finanças desde essa altura, queixa-se Carlos Pato.

"Temos tido dificuldade para preencher os lugares em alguns países. Em algumas situações porque é difícil encontrar docentes com domínio da língua do país onde vão ensinar, como é o caso da Alemanha e da Holanda; noutros porque trata-se de lugares longínquos, como a África do Sul", admite Ana Paula Laborinho, presidente do Instituto Camões.

"Estamos a fazer diligências para encontrar outras forma de preencher esses lugares. Uma das alternativas é abrir concursos a nível local, mas a portaria que o permite fazer ainda não foi desbloqueada", confirma a responsável.

Outra solução tem sido apelar ao espírito de missão dos professores que já estão colocado e contar com eles para completar horários e fazerem horas extraordinárias, acrescenta.

Para Carlos Pato, o problema é mais profundo. Com "apenas três aumentos salariais desde 2006 e o corte que já foi anunciado", os professores no estrangeiro "estão a perder poder de compra e há países em que a situação é complicada. "É cada vez menos atractivo e qualquer dia faz-se apenas por carolice", diz.

A presidente do Instituto Camões, no entanto, ressalva que há muitas realidades. "Temos consciência de que é uma dificuldade adicional, por exemplo, na África do sul, onde o custo de vida aumentou muito, mas essa crítica não se aplica a todos os países", garante. E esta é mais um questão cuja resolução depende das Finanças, acrescenta.

Uma realidade de que o sindicato tem consciência. "Estamos numa fase de adaptação, e o Instituto Camões tem mostrado vontade de responder e procurar soluções, mas pouco ou nada pode fazer porque as decisões têm de passar pelo Ministério das Finanças", diz Carlos Pato.

Patrícia Jesus
DN, 13/10/2010

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