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FENPROF
12 abr 2021 / 08:12

Dia 24, na rua porque uma Educação Pública de qualidade exige Professores valorizados e respeitados nos seus direitos e nas suas condições de trabalho

A profissão docente é afetada por diversos problemas: a carreira está pervertida; a precariedade arrasta-se por muitos anos; há um envelhecimento crescente dos profissionais; as condições de trabalho, desde logo os horários, não desrespeitados. 

No que concerne à profissão e à sua projeção no futuro é fundamental criar condições para que velhas e novas gerações se cruzem. Isto porque a experiência dos mais antigos deve ser valorizada e transmitida aos novos professores, fazendo esse encontro parte da construção de uma profissão que não se compadece com ruturas intergeracionais.

Só que as políticas de sucessivos governos para a Educação têm impedido o encontro. Deixaram envelhecer os profissionais, fecharam as portas aos jovens e tomaram medidas que retiram entusiasmo a quem está e deixam de atrair quem gostaria de estar.

O que nos últimos anos, em particular na última década e meia, tem sido feito aos professores é insólito e, simultaneamente, insulto a profissionais que sempre deram o seu melhor pela Escola, pela Educação, pelos seus alunos, pelo futuro.

Deixando envelhecer os profissionais como tem acontecido, quebram-se as cadeias de comunicação entre gerações afastam-se jovens de uma profissão que exige os mais qualificados, profissão que tende a ser reconfigurada no pior dos sentidos, refletindo-se no surgimento de uma escola menos diversa e mais cinzenta.

Transmitir conhecimentos e treinar habilidades, elegendo o “marranço” e o treino funcional como práticas dominantes é a negação de uma escola capaz de também formar para o exercício democrático da cidadania, mas essa é cada vez mais a opção de um poder que não gosta e não quer ser posto em causa e que pretende que a escola seja, apenas, reprodutora, catequizando e domesticando. Não é a escola que se pretende. Tomamos partido pela alternativa, por uma escola transformadora, aquela que, como afirmava Paulo Freire, exige professores capazes de ajudar todos os meninos e meninas a aprender a mesma matemática, a mesma física, a mesma biologia que aprendem os meninos e meninas das zonas felizes da cidade, mas que, ao mesmo tempo, não se alheia da análise crítica de como funciona a sociedade; uma escola que ajuda a criar consciência social face a todas as questões da sociedade. No fundo, aquilo que de forma simples, mas direta afirmou o poeta de Abril, José Carlos Ary dos Santos, quando escreveu que “estudar é muito, mas pensar é tudo”.

A luta por uma escola do século XXI não é a luta entre quem defende a velha ardósia e os que se sabem mexer bem no ambiente digital, ainda que haja quem queira resumir a isso. A luta é, seja qual for o recurso utilizado, entre uma escola transformadora e a tal escola reprodutora. E não será uma luta simples, pois os defensores desta última estão bem escudados pelo capital, que amplifica as suas mensagens e já se organizam um pouco por todo o mundo. No Brasil, criaram o movimento escola sem partido, na Alemanha o movimento escolas neutras, e são tão neutras e inócuas que, no primeiro caso, apelidam de propaganda gay as propostas que procuram atribuir à escola o papel de promotora de tolerância e respeito pela diversidade, e no segundo negam a existência do Holocausto. São movimentos que instam os alunos a denunciar os professores que, em sua opinião, promovem o que eles consideram ideologia, como se a escola mais ideológica não fosse aquela que se reclama ideologicamente neutra.

Uma escola e um ensino de qualidade requerem professores de corpo inteiro: qualificados, valorizados, com estabilidade, envolvidos em todos os níveis de decisão da escola e do sistema educativo, respeitados pelo governo e, em particular, pelos responsáveis da Educação. Isso não tem acontecido e como há um tempo para tudo e a pandemia não pode continuar a ser tapete sob o qual se escondem os problemas, os professores, no próximo dia 24 de Abril, voltarão a dar visibilidade ao protesto, manifestando-se na rua em frente ao Centro Cultural de Belém, espaço que acolhe a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia. A Escola que forma o aluno para o século XXI não é, de certeza, uma escola amorfa, que se cala e não se mexe. Pelo contrário, mexe-se, luta e não se resigna ao status quo. Dia 24, uma das mais importantes componentes da comunidade escolar – os docentes – confirmará que não se resignou.


 
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