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FENPROF
22 mai 2020 / 15:02

Breve balanço de uma semana de atividade presencial nas escolas

- Professores, como é habitual, cumprem, a maior parte com aulas presenciais e ensino a distância, o que impõe um esforço acrescido;

- Absentismo dos alunos é da ordem dos 10% e decorre de dois motivos: resguardo face à situação epidemiológica e problemas com transportes;

- Pessoal auxiliar é, na maior parte dos casos, adequado porque nem todos os alunos vão à escola e só parte das instalações estão abertas

 

DOCENTES, TRABALHADORES NÃO DOCENTES E ALUNOS

A FENPROF procurou saber como correu a primeira semana de aulas presenciais nas escolas secundárias e lançou um pequeno inquérito para perceber a situação. Os casos analisados correspondem a uma amostra da ordem dos 20% das escolas que retomaram atividade presencial e abrangem todo o território continental, de Monção e Mirandela a Lagos e Vila Real de Santo António. Foram também consideradas escolas do litoral (Lisboa, Porto ou Coimbra) e do interior do país (Pinhel ou Nisa).

Da semana que hoje termina, conclui-se que:

- Os professores compareceram ao trabalho presencial, com exceção dos que se encontram em situação de doença. Em relação aos docentes que integram grupos de risco, houve escolas que optaram por mantê-los em ensino a distância (E@D), com coadjuvação, e outras que preferiram substitui-lo, reorganizando a distribuição de serviço;

- Relativamente aos trabalhadores não docentes, apesar de ainda haver registo de carências, a maior parte das escolas afirma contar com um número adequado às suas necessidades porque, agora, apenas respondem a uma parte dos alunos e dos espaços da escola.

Contudo, há extremos: por exemplo, as escolas que são sede de “mega-agrupamento” concentram um número elevado de funcionários, o que lhes permite, até, promover um regime de rotatividade entre aqueles trabalhadores no apoio direto às aulas; já nas escolas que são apenas secundárias ou predominantemente secundárias surgem algumas dificuldades neste capítulo, pois a percentagem de alunos presentes, relativamente ao total, é significativa. A situação mais difícil foi detetada numa escola do barlavento algarvio, onde uma escola secundária apenas pode contar com 8 dos seus 20 funcionários, o que é manifestamente insuficiente.

- Quanto aos alunos, em média, as ausências andam na ordem dos 10%, apesar de haver escolas em que a presença é praticamente total e outras em que as faltas chegam a ultrapassar os 50%. O número de alunos em situação de risco ou doença é baixo e os motivos alegados para a ausência são, normalmente, três: i) falta de transporte em horário adequado; ii) preocupação com a situação epidemiológica e medo de contágio a familiares; iii) ser disciplina a que o aluno não irá fazer exame. Apesar de o ME parecer ter abandonado estes alunos, muitos professores, solidários com eles, decidiram continuar a apoiá-los a distância, fazendo-o para além dos limites legais do seu horário de trabalho.

Como a lei prevê, ainda que constitua mais um fator de desigualdade, há alunos que viram reduzida em 40 a 50% a carga letiva semanal prevista no currículo. Essa redução foi determinada pelo ME como acomodação da divisão das turmas sem que, daí, resultasse a contratação de mais docentes.

 

HORÁRIOS DE TRABALHO E DISTRIBUIÇÃO DE SERVIÇO

- Em relação à reorganização de horários de trabalho, verifica-se que praticamente todas as escolas tiveram de proceder a alterações para compatibilizar os seus horários de funcionamento com os determinados pelas orientações emitidas para todos os estabelecimentos; já em relação ao serviço distribuído, são em menor número as que procederam a alterações: não vão além de 1/3 das escolas. A maioria destas considerou que não deveriam, a pouco mais de um mês do final das aulas, mudar os professores das turmas. Só em casos excecionais, por norma relacionados com situações de risco ou de doença, houve redistribuição de serviço.

Registe-se, no entanto, que, embora em número residual, houve escolas que redistribuíram serviço para evitar que houvesse docentes com aulas presenciais e, simultaneamente, por terem turmas de anos sem exame, com ensino a distância. Uma opção que, como já se disse, na maior parte dos casos, não foi adotada, por se considerar que, como antes se refere, a mudança de professor da turma, neste momento final do ano letivo, seria prejudicial para os alunos. Não pode deixar de se assinalar que ficam ainda mais sobrecarregados os professores (e são a grande maioria dos que voltaram ao regime presencial) que, depois das aulas nas suas escolas, correm para casa, onde irão continuar a trabalhar com outros alunos que se mantêm em E@D.

 

A este propósito, a FENPROF divulgará na próxima semana o resultado do questionário realizado junto dos professores sobre E@D. Os elementos recolhidos são um bom contributo para a análise do E@D, desde logo para evitar erros e superar dificuldades, caso, por razões de saúde pública, e só por essas, for necessário voltar a medidas excecionais desta natureza.

 

Foi, ainda, colocada a questão das escolas de referência para acolhimento de filhos de trabalhadores de serviços essenciais. Como acontece desde o início, são poucas as famílias que recorrem a este serviço. Há escolas em que não comparece qualquer aluno ou são apenas dois ou três os que recorrem a tal serviço. A contrastar com esse quadro, temos os alunos que se deslocam à escola para almoçar ou, quando o serviço é take away, levantar as suas refeições. Há escolas em que são muitas dezenas de alunos a recorrer a este serviço, o que confirma a sua importância para responder a famílias cujas dificuldades económicas se estão a agravar neste tempo de pandemia.

Por último, muitos professores, incluindo membros dos órgãos de gestão das escolas, confirmaram que a falta de um rastreio, com a realização de testes à comunidade escolar, não ajudou a criar um clima de confiança junto de quantos já estão a trabalhar presencialmente nas escolas. Foram também manifestadas preocupações por parte de escolas em que os EPI distribuídos são insuficientes para o tempo previsível de atividade, uma vez que ainda não tinham informação sobre se e quando será feito o reforço desses equipamentos.

 

O Secretariado Nacional


 
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