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FENPROF
27 jan 2014 / 12:27

Saudação da FENPROF ao 32º Congresso da CNTE

32.º CONGRESSO DA CNTE

BRASÍLIA, 16 – 19 JANEIRO 2014

 

Companheiros e Companheiras da CNTE,

Em nome da FENPROF (Federação Nacional dos Professores) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), trago-vos, de Portugal, aquele Abraço!

Pedia Chico Buarque, nos tempos que se seguiram à data libertadora de 25 de abril de 1974, que Portugal lhe mandasse urgentemente algum cheirinho de alecrim... porque lá fazia Primavera e cá estava doente.

Um cheirinho que em Portugal se misturava com o odor dos cravos de Abril. Um Abril que, faz em breve 40 anos, fez sorrir o nosso povo depois de uma longa noite fascista de quase meio século.

Hoje, infetados por um vírus de nome FMI e por bactérias que se chamam Banco Central Europeu e Comissão Europeia e, pela primeira vez nestes 40 anos de democracia, por uma maioria de direita constituída por Presidente da República, governo e parlamento, é Portugal quem está doente.

Com a ajuda do “altruísta” FMI, a dívida externa portuguesa aumentou em mais 50%, o défice só artificialmente parece controlado, o desemprego disparou em mais 60% e o desemprego dos professores, em 3 anos apenas, subiu 256%.

- Há milhares de crianças que chegam com fome à escola;

- Há famílias inteiras que caíram nas malhas do desemprego;

- Há jovens altamente qualificados que, aos milhares, abandonam o país;

- Há idosos sem dinheiro para os medicamentos;

- Há doentes que já não têm acesso aos tratamentos;

- Há impostos que violentamente asfixiam quem trabalha;

- Há corrupção que espreita nos corredores das privatizações;

- Há uma Educação que ainda há pouco valia 6% do PIB e agora pouco passa dos 3%...

Lá – é agora lá – que está a doença e é daqui, com todas as dificuldades que vocês identificam e por isso lutam, daqui desta América Latina que é espinho cravado na goela do capital, que chega o cheirinho a alecrim, raiando esperança e enchendo de força e confiança os homens e as mulheres que lutam por um mundo melhor, por um futuro em que querem que continuem a florescer os cravos.

Falei há pouco das privatizações... As privatizações sempre como uma inevitabilidade. As privatizações acompanhadas da conversa da liberdade de escolha...

As privatizações porque a Saúde e a Segurança Social, tal como a Educação, não são, para os neoliberais, funções essenciais do Estado, mas sim negócio de mercado.

Em Portugal é a reforma do Estado que agora se anuncia e como o governo escreveu no guião que apresentou, uma reforma que não se destina a cumprir metas, mas a alterar o modelo social que temos. E o novo modelo conhece uma só palavra: privatizar!

Privatizar a Educação, destruindo a Escola Pública de qualidade e democrática para criar uma escola a dois tempos, um para os pobres e os considerados menos capazes, outra para as elites que nela se querem reproduzir.

Não é nova a receita das privatizações. E a confirma-lo temos as palavras do grande José Saramago, o Nobel da nossa língua comum, Homem de enorme sensibilidade social e sabedoria que um dia, em 1995 (Cfaderno de Lanzarote, Diário III, página 148), escreveu:

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.» 

Estava e continua certo José Saramago!

Um grande Abraço dos Educadores, Professores e Investigadores Portugueses ao 32.º Congresso da CNTE.

Viva a luta dos trabalhadores de todo o mundo por um futuro sem explorados nem exploradores.

Mário Nogueira
FENPROF - Portugal

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