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FENPROF
28 jun 2011 / 09:09

Na Grécia, como em Portugal, a educação e a escola pública correm sérios riscos

Entre 25 e 28 de Junho, realizou-se em Atenas o 15.º Congresso da OLME, a organização sindical mais representativa dos docentes gregos do ensino secundário.

Como era de esperar, este 15.º Congresso decorreu sob o signo da crise e da intervenção negativa da troika FMI-UE-BCE no país (a mesma que impôs medidas a Portugal, aceites pelos governos anterior e actual) e suas implicações, não apenas nos direitos sociais e laborais dos trabalhadores gregos, mas igualmente na vida profissional dos docentes, na Escola Pública e na qualidade da Educação e do Ensino.

Recorda-se que os docentes da Grécia já tiveram cortes salariais que, em média, se situam nos 20% e que a troika tem vindo a impor as originais ideias dos portugueses para a rede: o encerramento de escolas e a criação de grandes agrupamentos para que embarateça o sistema educativo, independentemente do impacto dessas medidas. Mesmo ao nível do Ensino Superior, há intenção de encerrar instituições que não sejam consideradas lucrativas, ainda que obrigando estudantes a mudarem para outras, se não querem ficar com os seus cursos por terminar. Num país que é constituído por muitas ilhas, algumas de grande isolamento, esta política de “reestruturação” da rede escolar tem consequências ainda mais negativas.

Preocupa também muito os professores, os facto de a troika pretender impor o encerramento de cursos, sobretudo das áreas das humanidades e da cultura enquanto, ao mesmo tempo, tenta canalizar os estudantes para vias profissionalizantes, bastante mais desvalorizadas. Uma opção a que não é alheia uma importante intervenção na escola para que tenha implicações futuras na sociedade!

A Grécia é o melhor exemplo de como é ineficaz e prejudicial fazer abater, sobre os trabalhadores, sacrifícios sobre sacrifícios; de como não tem validade a teoria da recuperação, assente na desvalorização dos serviços públicos e/ou privatização de áreas que são essenciais ao desenvolvimento da economia. Um ano após a imposição do primeiro pacote de medidas de austeridade aos trabalhadores, a situação agravou-se, novo pacote, ainda mais violento, está para ser aplicado numa louca espiral de medidas que dão (muito) lucro a quem empresta e levam à desgraça quem deles depende. Se os portugueses ainda tivessem dúvidas sobre o que vai acontecer ao país com as medidas da troika e o programa do novo governo, que as aplica, bastaria que pusessem os olhos naquele país do sul da Europa. E a seguir à Grécia, Irlanda e Portugal, há quem aposte que a Espanha (e provavelmente a Itália e Bélgica) não passarão de Setembro… se assim é, vamos ver, mas que a ganância do capital internacional é ilimitada disso ninguém duvida, e que a vida dos povos depende cada vez mais de jogos e apostas e das decisões de muito poucos no mundo, disso também todos têm a certeza.

Mas se os representantes dos centros do poder neoliberal não querem baixar os seus níveis de lucro, os trabalhadores começam a estar fartos e a não estar dispostos a sofrer mais com o desemprego (na Grécia, são quase 2 milhões os desempregados, metade dos quais não tem qualquer apoio social), com a precariedade, com a redução ou eliminação de direitos sociais e laborais, com um custo de vida que tem vindo a aumentar e, dessa forma, a degradar, brutalmente, o seu nível de vida. Não se estranha, por essa razão, que a contestação não pare e, pelo contrário, aumente de tom.

No 15.º Congresso da OLME participaram, como convidados, representantes de Portugal (FENPROF), Espanha (FECCOO) e França (SNES e FFOO), que intervieram na Sessão de Abertura. A FENPROF usou da palavra para, pela voz de Mário Nogueira, dar a conhecer a situação portuguesa neste contexto de crise que, como nos restantes países, tem vindo a abater-se sobre os mesmos de sempre: os trabalhadores! A intervenção da FENPROF abriu o espaço internacional do Congresso.


 
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