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FENPROF
23 mai 2011 / 21:01

Mário Nogueira fala do Congresso da CES

Mário Nogueira integrou a delegação da CGTP-IN que esteve em Atenas no recente Congresso da Confederação Europeia de Sindicatos (CES). No regresso colocámos quatro questões ao Secretário Geral da FENPROF.

QUE ESTEVE EM CAUSA NESTE CONGRESSO?
Mário Nogueira (M.N.) - Este congresso, para além do aspecto estatutário que determina a eleição dos órgãos dirigentes da CES e aprovação do plano de acção para um novo mandato, foi um espaço importante de encontro das organizações sindicais europeias, num momento em que a Europa, fustigada, como nunca, pelos ventos neoliberais e por uma crise que serve para alimentar a ganância da grande finança. Ali foi possível denunciar a natureza dessa crise, os objectivos dos que dela se aproveitam para aumentarem os seus lucros, a violência das medidas que, em muitos países, já se abatem sobre os trabalhadores e também apelar à sua organização e luta, não só para suster esta ofensiva do capital, mas para a fazer recuar.

QUAL A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO DA CGTP-IN E DE QUE FORMA SE MANIFESTOU?
M.N. - Num congresso com estas características e que conta com um milhar de delegados, cada organização, por si só, vale sempre pouco. Os nossos 6 delegados, em diversas ocasiões, como em votações, marcaram posição, assumindo o que entenderam correcto, para além de apresentarem propostas de alteração aos documentos em discussão e votação no sentido de os tornar mais adequados ao seu pensamento. Também se estabelecem contactos importantes e trocaram-se experiências que serão referências para a nossa própria prática. A CGTP teve também um papel importante na construção da resolução de emergência aprovada a propósito da crise e na intervenção que fez, pela voz do seu Secretário-Geral, deixando bem claras as posições da nossa organização face à actual situação no país e na Europa, não se resumindo à apreciação crítica, mas acrescentando propostas concretas.

QUE PERSPECTIVA HÁ DA INTERVENÇÃO DO MOVIMENTO SINDICAL DE COMBATE A ESTA CRISE E AO NEOLIBERALISMO?
M. N. -
Parece-me que estamos ainda muito longe de poder falar de uma perspectiva ou mesmo de uma estratégia europeia para este combate. Há consenso em considerar esta como uma crise que tem por objectivo aumentar a exploração e atacar o trabalho para lucro acrescido do capital, mas, no que respeita à acção e sobretudo à acção conjugada, ainda não se está num patamar que permita a definição de uma estratégia clara e coerente de acção comum. Há consenso na necessidade de a Europa ter preocupações e políticas efectivamente sociais e reconhece-se não ser esse o caminho que, actualmente, percorre… mas a partir daqui não me parece que haja, por agora, muito mais, que haja, por exemplo, uma estratégia de acção e luta delineada.

Tivemos uma ou outra jornada de luta convergente a nível europeu, mas nada que corresponda a uma estratégia, antes à necessidade de, em determinado momento, marcar uma posição. E ainda por cima, sem que todas as organizações adiram de facto ou tenham acções relevantes nos seus países. É o caso da UGT que, em Portugal, nem sempre se envolveu nestas acções de forma efectivamente relevante. Esta ausência de uma acção mais articulada penso que também tem a ver com o facto de a situação não ser a mesma em todos os países, esta Europa é assimétrica e tem várias velocidades e isso também não ajuda à articulação na acção e na luta. Será essa a razão por que, com ou sem uma acção à escala europeia, se torna muito importante que, em cada país, a luta se desenvolva, com os trabalhadores e os seus sindicatos nela empenhados, independentemente do que, em cada momento, acontece nos outros países.

QUAL A IMPORTÂNCIA PARA OS TRABALHADORES PORTUGUESES DA ACÇÃO DA CES?
M. N. -
Obviamente que a CES, ao intervir junta das instâncias europeias, nomeadamente da comissão, dos conselhos de ministros de diversas áreas ou mesmo do parlamento, poderá influenciar o conteúdo de directivas que estejam em fase de discussão e eventual aprovação. Por vezes, perante normas mais negativas, a CES pode tentar parar a sua aprovação ou propor alterações que sejam de sentido favorável aos trabalhadores, como aos cidadãos em geral. Claro que falo em aspectos à escala europeia e, por isso, nem sempre sentidos ou percebidos pelos trabalhadores, pelo menos no que respeita aos seus efeitos imediatos.

Entendo, no entanto, que mais e melhor poderá e deverá ser feito. Nesse sentido, também à CGTP compete dar contributos, forçar e dinamizar o debate, identificar problemas e apresentar propostas, para além, claro está, de agir no sentido da sua concretização.


 
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