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FENPROF
18 mai 2011 / 15:21

SG da CGTP-IN denuncia em Atenas ataques aos trabalhadores portugueses

Apesar da limitação do tempo de intervenção dos delegados ao Congresso, Portugal não deixou de denunciar os ataques que, em nome de uma alegada estratégia para resolver a crise portuguesa, têm sido desferidos contra os trabalhadores portugueses. Foi nesse sentido que Carvalho da Silva, Secretário-Geral da CGTP-IN, interveio no Congresso. Eis a sua intervenção:

Este é um Congresso em tempo muito delicado. Os graves problemas com que os trabalhadores e os povos se debatem exigem-nos:

  1. A definição de objectivos mobilizadores;
  2. Rigor nas análises afrontando as causas e os responsáveis dos bloqueios em que nos meteram;
  3. Definição das tarefas prioritárias, a primeira das quais é o reforço da nossa capacidade de acção.

Chegámos a uma situação em que, ou os trabalhadores, com os seus sindicatos, questionam este projecto europeu que está a ser posto em prática, exigindo mudança de rumo, exigindo uma Europa solidária, de harmonização social no progresso, de cooperação e integração respeitando identidades e culturas, uma Europa de desenvolvimento social e humano, ou a UE caminhará para a degradação social e política e para uma desagregação com grande sofrimento humano.

Os governos procuram comprometer os sindicatos a políticas desastrosas ao serviço dos interesses dos accionistas dos grandes grupos financeiros e económicos, contra os interesses e justos anseios dos cidadãos. Políticas perante as quais os trabalhadores, e em particular as gerações jovens, se sentem desiludidos e desmotivados face às injustiças, à falta de ética e de rigor e à ausência de objectivos de progresso que observam nas políticas seguidas e nas práticas patronais.

Neste contexto, os sindicatos terão de estar mais nos locais de trabalho, esclarecer, combater medos e silêncios, afirmar propostas de trabalho e organizar o protesto e a luta transformadora.

Em Portugal temos uma das taxas mais elevadas de actividade dentro da União Europeia, horários de trabalho prolongados, uma das médias salariais mais baixas da UE, a par com a mais injusta distribuição da riqueza, e temos muita precariedade. Os responsáveis pela crise não foram os trabalhadores, mas as políticas erradas a nível nacional, os caminhos desastrosos a nível europeu e a impunidade da especulação financeira.

Precisamos de uma luta sindical, no plano laboral e social, que também seja luta ideológica e sócio-política. Não esqueçamos a génese do capitalismo e o nosso compromisso com as classes trabalhadoras.

Portugal está agora debaixo de um programa imposto pela “troika” UE/BCE/FMI a que o governo e os partidos de direita se submetem ou apoiam e a que os sindicatos terão de dar combate em muitos dos seus aspectos, forçando alternativas.

É absolutamente claro que, com tais medidas, o PIB português, no final de 2012, era recuado para o valor de 2002, a dívida será maior face a taxas de juro inaceitáveis, teremos mais desemprego, privatizações a preço de saldo, pior saúde e ensino, mais desigualdades e pobreza. O país retrocederá no plano económico, social e civilizacional.

Existem alternativas e vamos lutar por elas! Exigimos, e é possível, a reestruturação da dívida; o alargamento do prazo para a redução do défice público; taxas de juro justas; novos caminhos para a obtenção e utilização dos recursos financeiros; reorientação do crédito e do investimento para apoiar actividades produtivas de bens e serviços úteis; criação de emprego.

Vamos combater a onda privatizadora, lutar por melhorar os salários, a protecção social e a efectivação da contratação colectiva. Estamos numa situação de esvaziamento e boicote à contratação colectiva e ao diálogo social. Temos de, com unidade e acção, construir esperança e confiança no futuro.

 

 

 

 

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