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08 nov 2010 / 09:24

Forças marroquinas entram à força num campo sarauí

08.11.2010 - 08:40 Por Sofia Lorena

O acampamento que nasceu nos arredores de El Aaiún
(Youssef Boudlal/Reuters)

Há tendas a arder e vozes que pedem através de megafones para que as mulheres e as crianças abandonem o local, descreve o “El País”.

Segundo contaram sarauís ao “El País” e ao “El Mundo”, o Exército entrou às 6h00 no recinto e começou a lançar gás lacrimogéneo, a incendiar tendas e a forças pessoas a sair. “Atacaram-nos de madrugada. Não pudemos fazer nada. Perdemos a batalha”, disse ao “El Mundo” Sidi, um sarauí que estava no acampamento desde o segundo dia.

Um jornalista da agência AFP diz ter visto vários feridos e ambulâncias que se dirigiam a El Aaiún. Segundo esta agência, as forças marroquinas usaram canhões de água contra os habitantes do acampamento.

“Cremos que já há bastantes feridos, várias ambulâncias saíram do acampamento com sarauís e outros fugiram por estrada”, disseram outros sarauís ao "El Mundo". As ruas de El Aaiún “estão tomadas”, disse por seu turno Hassana Duihi, do Comité de Presos Sarauís.

Este acampamento, que tinha já mais de sete mil tendas, nasceu há quatro semanas a 15 quilómetros da capital sarauí, El Aaiún. Foi montado por habitantes do Sara Ocidental que reivindicam melhores condições de vida, nomeadamente empregos e habitações.

Domingo, as forças de segurança marroquinas bloquearam o acesso ao campo e, em protesto, jovens e adolescentes sarauís ergueram barricadas e queimaram pneus no centro de El Aaiún. As forças anti-motim desmantelaram as barricadas e seguiu-se uma hora de confrontos. Para além do bloqueio ao campo, foi cortada a rede de telemóveis, o que levou os activistas a acreditarem que o assalto ao acampamento estava iminente.

A activista Aminatu Haidar tinha avisado nos últimos dias para a possibilidade de uma invasão à força deste campo, pedindo protecção para as pessoas que lá se encontravam. Haidar chegou ontem a Portugal e aqui ficará até quarta-feira, pretendendo agradecer aos activistas da causa sarauí que em Dezembro no ano passado se mobilizaram em torno da sua greve de fome em Lanzarote. Amanhã é homenageada na Universidade de Coimbra; quarta-feira na de Lisboa.

O Sara Ocidental foi ocupado por Marrocos em 1975 e os sarauís lutam desde essa data pela autodeterminação. A região aguarda um referendo desde que a ONU criou uma missão para o realizar, em 1991.

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