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FENPROF
14 ago 2007 / 00:00

Um ano após o conflito, as crianças do Líbano tentam recuperar apesar da instabilidade no País

BEIRUTE, GENEBRA, NOVA IORQUE, 12 de Julho de 2007 -  Um ano após a eclosão do conflito no Sul do Líbano, a capacidade de recuperação plena das crianças está comprometida pela instabilidade política e ameaças à segurança em todo o país.

Nos últimos meses, a instabilidade e episódios de crise (desde os incidentes com bombas até à deslocação dos campos de refugiados palestinianos no Norte) trouxeram de novo a insegurança e ansiedade para as crianças libanesas.

No ano passado, a guerra de 34 dias entre o Hezbollah e Israel começou a 12 de Julho de 2006 e mergulhou o Líbano numa emergência humanitária repentina e intensa. O conflito matou mais de 1 100 pessoas no país, causou ferimentos em mais de 4 000 e obrigou 900 000 a abandonarem as suas casas no Sul, segundo dados do Governo do Líbano.

"São visíveis os sinais de recuperação desde o conflito de 2006, tais como a reconstrução de reservatórios de água e o facto de muitas crianças terem completado o seu ano lectivo",  afirmou Roberto Laurenti, Representante da UNICEF no Líbano. "Mas à medida que vamos fazendo o levantamento do que foi feito e do que ainda falta fazer, é crucial lembrar que as crianças ainda trazem consigo cicatrizes invisíveis. A recuperação emocional demora muito mais tempo do que reconstruir uma ponte e, num país em situação de crise crónica, este processo irá desenvolver-se a longo prazo", acrescentou.

Milhares de crianças foram afectadas pela emergência, e a UNICEF, em parceria com a Cruz Vermelha Libanesa, respondeu prontamente para alcançar famílias retidas no Sul bem como aqueles que abandonaram as suas aldeias. Manter com saúde as crianças foi a principal prioridade, nomeadamente através do fornecimento de água potável, kits de saúde e higiene de emergência, medicamentos pediátricos essenciais, e vacinas contra o sarampo e a poliomielite.

Quando as famílias regressaram às aldeias logo após o cessar-fogo do passado dia 14 de Agosto, a UNICEF começou rapidamente a distribuir garrafas de água e folhetos informativos sobre uma grande ameaça subjacente -  um milhão de bombas de fragmentação não detonadas que se encontram sob casas, terrenos e estradas. Por outro lado, foram divulgados painéis, spots de televisão e rádio com informação dirigida aos pais acerca dos sinais de aflição que as crianças podem manifestar na sequência do conflito.

Após o regresso, a UNICEF alargou a sua rede de parceiros nas áreas afectadas para ir ao encontro das enormes necessidades dos retornados. O enfoque humanitário passou das operações de ajuda de emergência para o da recuperação em curso nas áreas-chave da água, saneamento e higiene, saúde, educação e protecção de crianças e jovens. Nestas áreas prioritárias, sobressaem alguns progressos significativos:

- Reconstrução, reparação ou ampliação de sistemas municipais de abastecimento de água abrangendo mais de 300 000 pessoas;

- Melhoramento da qualidade e segurança da água através de sistemas de utilização de cloro para 22 aldeias no Sul;

- Vacinação de mais de 300 000 crianças em todo o país contra a poliomielite, para o caso de não terem recebido a imunização de rotina durante a interrupção dos serviços de saúde durante a guerra;

- Apoio à campanha nacional libanesa de Regresso à Escola para minimizar o atraso do início do ano escolar após o conflito, proporcionando materiais educativos essenciais a 400 000 estudantes em 1400 escolas;

- Produção de materiais e prestação de apoio aos formadores para sensibilizar as crianças das áreas afectadas acerca dos perigos dos engenhos explosivos não detonados;

- Apoio à formação especializada de professores e técnicos de serviço social sobre o trabalho com crianças afectadas pelo conflito ou pelas crises;

- Criação de espaços amigos-das-crianças e equipas móveis de longo alcance, proporcionando artigos recreativos e formação a mais de 600 animadores para ajudar as crianças a recuperarem dos traumas através da auto-expressão e do sentido de normalidade potenciados pelo desenho, desporto, e jogos;

- Apoio aos centros de informação para jovens mediante a promoção de alternativas à violência através do diálogo e da formação de competências.

Nos próximos meses, a UNICEF e os seus parceiros vão prosseguir o que foi iniciado aquando da sua resposta de emergência a fim de desenvolver as infra-estruturas existentes para o bem-estar das crianças, não só nas áreas afectadas pelo conflito no Sul do Líbano como em todo o país. Os próximos passos cruciais são:

- Esforços continuados para melhorar a qualidade da água nas aldeias;

- Reforço da qualidade da educação, promoção da saúde e prestação de apoio psicossocial nas escolas públicas, bem como a redução das taxas de abandono escolar do liceu nas áreas desfavorecidas;

- Reforço do sistema de cuidados de saúde primários ? incluindo a imunização de rotina ? para garantir que as famílias em todas as aldeias sejam abrangidas;

- Continuação da prestação de apoio aos programas recreativos de base comunitária de modo a desenvolver a recuperação emocional das crianças e jovens, e a respectiva capacitação para lidarem com as actuais tensões políticas. Desenvolvimento das competências das ONGs e dos voluntários locais para a programação a longo prazo;

- Promoção dos valores da paz e da tolerância proporcionando oportunidades para as crianças e jovens interagirem com os seus pares de diferentes contextos religiosos, políticos e sociais;

- Expansão da série televisiva produzida por jovens Sawtna co-produzida pela UNICEF e LBCI (Lebanese Broadcasting Corporation International). Traduzível literalmente como A Nossa Voz, a série Sawtna proporciona um meio para os jovens investigarem assuntos relevantes para eles e produzirem peças para serem transmitidas não só no Líbano como também ao nível internacional via satélite.

"A guerra virou do avesso a vida de milhares de crianças",.  afirmou Laurenti. "A sua capacidade de resistência é notável, e sabemos que as crianças estão a caminho da recuperação. Porém, em todo o país as crianças vivem sob a constante ameaça da instabilidade política, e todos nós (desde as organizações humanitárias até às famílias, do sector privado aos decisores governamentais)  precisamos de nos preocupar em primeiro lugar como bem-estar das crianças. Juntos, somos responsáveis pelo seu caminho para o futuro", concluiu.

Para mais informações, contactar:

Nicole Ireland, UNICEF Lebanon Country Office, Cell: +961 70 908 368, nireland@unicef.org

Patrick McCormick, UNICEF Media New York, +2123267426, pmccormick@unicef.org

Veronique Taveau, UNICEF Media Geneva, Tel: +41 22 909 5716, vtaveau@unicef.org


 
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