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29 jul 2019 / 13:23

MANUEL LOUZÃ HENRIQUES (1933 - 2019)

Figura marcante da Resistência ao fascismo, faleceu Manuel Louzã Henriques, um mestre de humanidade, a quem muitos estão imensamente devedores, pelos mundos do conhecimento que ele abriu e pelo exemplo de civismo que deu ao longo de toda a vida. Louzã Henriques, uma personalidade de rara dimensão ética e cultural, caracterizava-se por uma inexcedível coragem cívica e grandeza humana. Médico psiquiatra, escritor, político, era um homem eclético que foi capaz - como muito poucos homens deste país no último século - de reunir a admiração de amplos sectores de opinião.
Mais do que culto – e foi-o numa dimensão inexcedível –, Louzã Henriques, notável conversador e pedagogo excelso, era sobretudo um homem sábio, um ser humano de afectos insuperáveis e uma personalidade singular. Foi preso quando era estagiário de Medicina, julgado no famigerado Tribunal Plenário e condenado a pena maior e a medidas de segurança que cumpriu no Forte de Peniche, donde saiu três anos e meio depois. Terminou então a licenciatura e iniciou a sua especialidade de Psiquiatria. Até ao 25de Abril, não pôde integrar as Carreiras Médicas.
Médico e etnólogo, viveu na “República Palácio da Loucura”, nos tempos de estudante. Militante do PCP desde a época em que frequentava a Faculdade de Medicina de Coimbra, Manuel Lousã Henriques foi um invulgar comunicador e homem de cultura, uma personalidade marcante de Coimbra, mas também de dimensão nacional. Andou com grande entusiasmo pelos caminhos da etnografia e da antropologia, e nessas navegações organizou preciosas recolhas, que lhe permitiram obter um acervo de material etnográfico e de instrumentos musicais, a partir do qual nasceu o Museu Louzã Henriques, na Lousã. Ofereceu mais de 400 instrumentos musicais, devidamente catalogados, à Câmara Municipal de Coimbra.
Viajou pelo tempo, lembrou cantares do povo, tocou acordeão e guitarra para marcar sonoridades imemoriais, e a sua fala foi, como sempre é, uma lição de humanidade. Aquilo que enriquece os dias é quando acrescentamos aos instantes a sabedoria dos que levaram uma vida inteira a investigar e a saber coisas, a ler e a ouvir gente, e depois gastam boa parte do seu tempo a partilhar essa sabedoria com os outros. O Manuel Louzã Henriques foi uma dessas personalidades singulares para quem o ato cultural se concretiza plenamente na comunicação democratizante com os outros, numa navegação à vista em que a amizade é sempre porto seguro. Poucas pessoas haverá com tanta capacidade para a pedagogia do falar, fazendo das palavras um pão a repartir, como Neruda dizia da poesia. Este médico psiquiatra que gostava da conversa longa, do prosear suave à roda de uma mesa de amigos, que escreveu versos e belas prosas, que cultiva a palavra com o rigor de Vieira, embora a fluência das palavras e a simplicidade do verbo sejam nele um rio que corre mansamente, sem tumulto, apenas fio de água limpa e transparente onde podemos beber conhecimentos. Quem conheceu Manuel Louzã Henriques, quem o ouviu e conviveu com ele – não apenas as sucessivas gerações que passam por Coimbra, mas um público mais vasto – sabe que é assim. O privilégio do seu convívio foi sempre surpreendente. Bem haja Manel!

Figura marcante da Resistência ao fascismo, faleceu Manuel Louzã Henriques, um mestre de humanidade, a quem muitos estão imensamente devedores, pelos mundos do conhecimento que ele abriu e pelo exemplo de civismo que deu ao longo de toda a vida. Louzã Henriques, uma personalidade de rara dimensão ética e cultural, caracterizava-se por uma inexcedível coragem cívica e grandeza humana. Médico psiquiatra, escritor, político, era um homem eclético que foi capaz - como muito poucos homens deste país no último século - de reunir a admiração de amplos sectores de opinião.

Mais do que culto – e foi-o numa dimensão inexcedível –, Louzã Henriques, notável conversador e pedagogo excelso, era sobretudo um homem sábio, um ser humano de afectos insuperáveis e uma personalidade singular. Foi preso quando era estagiário de Medicina, julgado no famigerado Tribunal Plenário e condenado a pena maior e a medidas de segurança que cumpriu no Forte de Peniche, donde saiu três anos e meio depois. Terminou então a licenciatura e iniciou a sua especialidade de Psiquiatria. Até ao 25de Abril, não pôde integrar as Carreiras Médicas.

Médico e etnólogo, viveu na “República Palácio da Loucura”, nos tempos de estudante. Militante do PCP desde a época em que frequentava a Faculdade de Medicina de Coimbra, Manuel Lousã Henriques foi um invulgar comunicador e homem de cultura, uma personalidade marcante de Coimbra, mas também de dimensão nacional. Andou com grande entusiasmo pelos caminhos da etnografia e da antropologia, e nessas navegações organizou preciosas recolhas, que lhe permitiram obter um acervo de material etnográfico e de instrumentos musicais, a partir do qual nasceu o Museu Louzã Henriques, na Lousã. Ofereceu mais de 400 instrumentos musicais, devidamente catalogados, à Câmara Municipal de Coimbra.

Viajou pelo tempo, lembrou cantares do povo, tocou acordeão e guitarra para marcar sonoridades imemoriais, e a sua fala foi, como sempre é, uma lição de humanidade. Aquilo que enriquece os dias é quando acrescentamos aos instantes a sabedoria dos que levaram uma vida inteira a investigar e a saber coisas, a ler e a ouvir gente, e depois gastam boa parte do seu tempo a partilhar essa sabedoria com os outros. O Manuel Louzã Henriques foi uma dessas personalidades singulares para quem o ato cultural se concretiza plenamente na comunicação democratizante com os outros, numa navegação à vista em que a amizade é sempre porto seguro. Poucas pessoas haverá com tanta capacidade para a pedagogia do falar, fazendo das palavras um pão a repartir, como Neruda dizia da poesia. Este médico psiquiatra que gostava da conversa longa, do prosear suave à roda de uma mesa de amigos, que escreveu versos e belas prosas, que cultiva a palavra com o rigor de Vieira, embora a fluência das palavras e a simplicidade do verbo sejam nele um rio que corre mansamente, sem tumulto, apenas fio de água limpa e transparente onde podemos beber conhecimentos. Quem conheceu Manuel Louzã Henriques, quem o ouviu e conviveu com ele – não apenas as sucessivas gerações que passam por Coimbra, mas um público mais vasto – sabe que é assim. O privilégio do seu convívio foi sempre surpreendente. Bem haja, Manuel!


 
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