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FENPROF
18 dez 2016 / 12:00

Na defesa das classes mais favorecidas

(...) As medidas destinadas a assegurar que nenhuma criança seria deixada para trás em nome da concretização de um direito social à educação, começaram a ser vistas como apoio descabido aos preguiçosos e incapazes; os descendentes das clases menos favorecidas, em vez de serem objecto de um tratamento especial para eliminar a sua desvantagem inicial, passaram a ser punidas por não terem uma família adequada.

As movimentações a favor da publicitação dos rankings das escolas e do aumento da escolha parental dos estabelecimentos de ensino inserem-se neste novo objectivo de retoma de uma vantagem competitiva por parte das classes mais favorecidas. Um estudo do Observatório Permanente da Juventude (Bárbara Wong, jornal Público, 29 de Março de 2002) revelou que os indivíduos oriundos das famílias que não ultrapassam o 1º ciclo do básico “têm entre nove a vinte vezes menos probabilidades de aceder à universidade do que os que são provenientes de grupos domésticos que atingiram o mais alto nível de escolaridade”; mostrou, ainda, que a probabilidade de acesso é mais baixa nas regiões do interior Norte e Centro, justamente aquelas onde existem lacunas na oferta de ensino, além de serem das menos desenvolvidas e mais despovoadas, com desigualdades sociais mais acentuadas.


Todos os estudos feitos sobre sistemas de ensino que promoveram a escolha parental baseada nos rankings das escolas mostram que esta política se traduziu, essencialmente, na defesa das classes mais favorecidas, uma vez que as outras não têm conhecimentos, cultura ou mesmo capacidade (por exemplo, devido ao problema dos transportes) para beneficiar plenamente das novas políticas. Ou seja, em vez de se utilizar a escola para promover a igualdade social e esbater as desigualdades educativas de origem social, a escolha parental permitiu reforçar estas desigualdades e perpetuar uma vantagem de classe bem expressa pelos resultados do trabalho do Observatório Permanente da Juventude. / Alberto Amaral, Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior, "A Página", nº 115, setembro 2012

 


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